
Um novo fundo negociado em bolsa (ETF) com foco em ativos ligados à Venezuela entrou no radar do mercado financeiro internacional. Um pedido de registro foi protocolado junto à Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos (SEC) para a criação do Teucrium Venezuela Exposure ETF, poucos dias após a saída do presidente Nicolás Maduro do poder.
De acordo com os documentos enviados ao regulador norte-americano, o fundo teria como objetivo replicar um índice formado por empresas sediadas na Venezuela, além de companhias estrangeiras que concentram mais da metade de seus ativos no país ou que obtêm mais de 50% de sua receita a partir de operações em território venezuelano. Com isso, o ETF não seria composto exclusivamente por ações listadas localmente, mas por empresas com exposição econômica relevante à Venezuela.
Proposta inédita no mercado de ETFs
Caso receba aprovação, o produto será o primeiro ETF de ações com esse tipo de estratégia focada na Venezuela. Atualmente, não existem fundos negociados em bolsa que busquem replicar diretamente o mercado acionário venezuelano, considerado pequeno e com baixa liquidez. Há, no entanto, alguns ETFs com exposição à dívida soberana do país.
O registro do fundo ocorre em um momento sensível do cenário geopolítico. A iniciativa foi apresentada poucos dias depois de uma operação conduzida pelos Estados Unidos que resultou na deposição do antigo governo venezuelano, fato que reacendeu expectativas sobre mudanças estruturais na economia do país.
Reação dos mercados e expectativas
Na esteira dos acontecimentos políticos, a Bolsa de Valores de Caracas registrou forte valorização. Na última segunda-feira, o principal índice do mercado local avançou mais de 16%, segundo dados compilados por fontes oficiais e provedores internacionais de informações financeiras, ampliando um movimento recente de alta.
O mercado de renda fixa também reagiu. Os títulos da dívida venezuelana apresentaram valorização expressiva, impulsionados pela especulação de que uma eventual reestruturação possa finalmente sair do papel após anos de paralisação, em meio às sanções internacionais que dificultavam negociações.
Dívida venezuelana volta ao radar
A Venezuela está inadimplente há cerca de oito anos, e as conversas para reestruturação da dívida praticamente não avançaram nesse período. Ainda assim, fundos que mantêm exposição a esses papéis começaram a registrar ganhos relevantes recentemente, acompanhando a mudança de expectativas sobre o futuro econômico do país.
Gestores de fundos especializados em mercados emergentes avaliam que, caso o novo cenário político se consolide, uma renegociação da dívida venezuelana pode ocorrer em um horizonte de médio prazo, o que tende a impactar positivamente os preços dos ativos atualmente negociados com grande desconto.
Mercado pequeno, mas espaço para novos produtos
Apesar do otimismo pontual, analistas avaliam que o público potencial para um ETF de ações com foco na Venezuela deve ser restrito, dado o tamanho reduzido do mercado acionário local e os desafios operacionais envolvidos. Ainda assim, o lançamento do fundo reflete a busca constante da indústria de ETFs por nichos pouco explorados, especialmente em um setor que já soma quase 5 mil produtos e mais de US$ 13 trilhões em ativos sob gestão globalmente.
Para o mercado, a proposta sinaliza uma tentativa de antecipar movimentos e capturar interesse em um momento de inflexão política e econômica, mesmo diante de incertezas relevantes sobre governança, liquidez e estabilidade institucional no país.