Tecla ETF em teclado simbolizando investimentos em fundos de índice
ETF ganha destaque ao adotar estratégia de valor e fugir da concentração em grandes empresas de tecnologia.

Um ETF de uma gestora com mais de um século de história chamou a atenção do mercado em 2025 ao superar seus pares globais sem exposição às chamadas “Magnificent Seven”, grupo que concentra boa parte dos ganhos recentes das bolsas americanas.

O Tweedy, Browne Insider + Value ETF registrou valorização de 30% em 2025, desempenho superior ao do MSCI World Index, que avançou 21,1%, e ao S&P 500, com alta de 17,9%, considerando dividendos reinvestidos. Os dados são da LSEG.

Estratégia foge da concentração em megacaps

Enquanto índices tradicionais seguem fortemente concentrados em empresas de grande capitalização — especialmente no setor de tecnologia — o ETF adotou uma abordagem distinta, baseada em valor, diversificação global e comportamento de insiders corporativos.

O fundo não possui nenhuma das sete maiores empresas de tecnologia dos Estados Unidos em carteira. Em vez disso, mantém cerca de 180 posições, com pesos relativamente equilibrados, distribuídas entre diferentes países, setores e tamanhos de empresas.

Apenas 28,9% da carteira está alocada em companhias sediadas nos Estados Unidos, com o restante espalhado por 21 países, majoritariamente em economias desenvolvidas.

Gráfico diário e de 60 minutos do ETF COPY, mostrando tendência clara de alta: Fonte: Plataforma TastyTrade

Compras de insiders e recompras efetivas de ações

O processo de seleção do ETF combina dois pilares centrais:

  1. Compras relevantes de ações por executivos, diretores ou controladores, feitas com recursos próprios.
  2. Recompras líquidas de ações, que de fato reduzem o número total de papéis em circulação, evitando diluição dos acionistas.

Além disso, todas as empresas precisam negociar com desconto relevante em relação ao valor intrínseco, medido por múltiplos como preço/lucro, preço/valor patrimonial e dividend yield, dentro de um modelo proprietário que avalia mais de 30 critérios distintos.

Essa abordagem contrasta com práticas comuns no mercado, em que empresas realizam recompras mesmo com ações negociando a múltiplos elevados, o que pode beneficiar apenas acionistas vendedores no curto prazo.

Diversificação como motor de performance

Apesar de muitos gestores associarem bons resultados a carteiras concentradas, o ETF mostrou que uma estratégia amplamente diversificada pode capturar valor de forma consistente quando combinada com disciplina de valuation.

O fundo realiza revisões periódicas e tende a manter cada posição por cerca de dois anos, salvo nos casos em que novas compras de insiders reforçam a tese ou o papel segue negociando com desconto significativo.

Setores e empresas fora do radar tradicional

Entre as principais posições do ETF estão bancos europeus, empresas industriais, montadoras e companhias de recursos naturais, muitas delas fora do foco dos grandes fluxos globais de capital.

Esse posicionamento explica por que o fundo conseguiu entregar retorno competitivo mesmo em um ano marcado pela liderança quase absoluta de ações de tecnologia nos Estados Unidos.

Comentário de Fábio Murad

Para Fábio Murad, CEO da SpaceMoney e criador do método Super ETF, o desempenho do fundo reforça uma lição clássica do investimento em valor aplicada ao universo dos ETFs:

“Esse ETF mostra que investir bem não é seguir as ações da moda, mas comprar empresas com desconto e alinhamento claro entre gestão e acionista. Quando insiders colocam o próprio dinheiro em jogo e a empresa recompra ações abaixo do valor intrínseco, o investidor está jogando junto com quem conhece o negócio por dentro.”

Segundo Murad, a forte concentração dos índices tradicionais em poucas empresas aumenta o risco de longo prazo para quem investe sem critério:

“ETFs globais diversificados, com viés de valor e disciplina de valuation, tendem a atravessar ciclos com mais resiliência. Esse é exatamente o princípio que defendemos no Super ETF.”

O que o desempenho do fundo sinaliza ao investidor

O caso do Tweedy, Browne Insider + Value ETF reforça que:

  • Diversificação global continua sendo uma vantagem estrutural;
  • Valor ainda importa, mesmo em ciclos dominados por tecnologia;
  • ETFs ativos podem competir com índices tradicionais quando seguem regras claras;
  • Evitar concentração excessiva pode reduzir riscos ocultos da carteira.

Em um mercado cada vez mais dependente de poucas ações, estratégias alternativas baseadas em fundamentos voltam a ganhar espaço no radar dos investidores globais.