Primeiro ETF de Bitcoin Treasuries da B3 com distribuições mensais
Digital Yield ETF (DIGY11) é o primeiro ETF de Bitcoin Treasuries da B3

A OranjeBTC (B3: OBTC3), a Companhia Bitcoin do Brasil, anunciou o registro do Digital Yield ETF (DIGY11), o primeiro ETF listado na B3 dedicado a ações preferenciais internacionais emitidas por companhias do ecossistema do bitcoin (BTC), as chamadas Bitcoin Treasuries Company ou DATs (Digital Assets Treasuries). O produto, que terá distribuições mensais em reais, tem estreia prevista para o início de setembro na bolsa brasileira.

A carteira inicial será composta por ações preferenciais da Strategy (STRC) e da Strive (SATA), respectivamente a primeira e a sétima maiores empresas detentoras de bitcoin do mundo. O fundo contará com proteção cambial e liquidez diária.

Estrutura e índice de referência

O DIGY11 será gerido pela 3R Investimentos e terá como índice de referência o MarketVector Bitcoin Treasury Preferred Equity BRL Hedged Index, criado pela MarketVector, empresa do grupo VanEck, que já possui ETFs registrados nos Estados Unidos. Os rendimentos recebidos dos ativos internacionais da carteira serão convertidos e distribuídos mensalmente em reais aos cotistas, observadas as despesas e demais condições do fundo.

O rendimento anual estimado das distribuições, nas condições atuais de mercado e sem considerar a variação do valor das cotas, é de CDI + 3% a 5%. A taxa de gestão é de 0,90% ao ano, e a tributação estimada das distribuições é de 15%, conforme a regulamentação aplicável.

Mercado aquecido

O CEO da OranjeBTC, Guilherme Gomes, afirmou que a ideia da criação do ETF veio do mercado, que já demandava um produto do tipo. Segundo ele, as ações preferenciais ligadas a Bitcoin Treasuries levantaram quase US$ 11 bilhões desde o começo do ano, o que mostra um mercado bastante aquecido. Gomes explicou que o ETF é composto exclusivamente por ações preferenciais, que funcionam como bonds perpétuos, e por isso não inclui ações da própria OranjeBTC, que tem apenas papéis ordinários.

Volatilidade inferior à do bitcoin

Apesar do histórico ainda curto, os instrumentos que compõem a carteira apresentaram, desde os respectivos lançamentos das ações da Strategy e da Strive, volatilidade inferior à do próprio bitcoin. O índice de referência seleciona, com base em critérios objetivos, ações preferenciais emitidas por companhias abertas voltadas ao ecossistema bitcoin, com foco em instrumentos listados, de longo prazo ou sem vencimento, e estruturados para realizar distribuições recorrentes em dólar.

E o estresse da Strategy?

Questionado sobre a recente pressão nos papéis da Strategy, que gerou o termo Strat-Stress, Gomes disse que o pior já passou e o momento foi superado. Para ele, a afirmação de que não seria o melhor momento para essas ações é questionável: apesar da volatilidade acima da antecipada pelo mercado, as empresas continuaram pagando dividendos de forma recorrente, sem perder um único pagamento.

Gomes citou a retomada dos papéis STRC, que chegaram a tocar níveis abaixo de US$ 85,00 e já voltaram a ser negociados próximos da faixa de US$ 95,00. Segundo ele, as companhias estão focadas em fazer esse investimento funcionar.

Força patrimonial dos emissores

Um dos principais fundamentos da estratégia é a força patrimonial das companhias cujas ações preferenciais integram o índice. Considerando as obrigações anuais de distribuição e descontadas as obrigações com prioridade sobre esses instrumentos, as reservas combinadas de Strategy e Strive equivalem a aproximadamente US$ 2,80 em caixa e US$ 28 em bitcoin para cada US$ 1 distribuído anualmente pelas duas companhias.

Em outras palavras, o caixa disponível, isoladamente, equivale a cerca de dois anos e meio de distribuições. Incluindo as reservas em bitcoin, a cobertura patrimonial total corresponde a aproximadamente 30 anos de distribuições, aos preços atuais. Gomes resumiu a tese: a força dos balanços é o ponto central, com cobertura patrimonial relevante em bitcoin e caixa para cada dólar de distribuição anual.

Riscos e características do DIGY11

A cobertura patrimonial não representa garantia de pagamento ou de rentabilidade. Os ativos permanecem nos balanços dos emissores, não são segregados em benefício do fundo ou de seus cotistas, e a parcela da cobertura em bitcoin varia de acordo com o preço do ativo. O DIGY11 não investirá diretamente em bitcoin nem busca substituir a exposição direta ao ativo, mas oferecer uma alternativa de renda para os portfólios, com acesso à economia digital global movida por criptomoedas.

O fundo é classificado como ETF de renda variável, não conta com garantia do FGC e está sujeito a riscos de mercado, crédito, liquidez e às políticas de distribuição dos emissores.