ETF DIGY11 com ações da Strategy na B3
DIGY11, ETF da OranjeBTC na B3, com ações da Strategy e renda mensal

A OranjeBTC (B3: OBTC3), a Companhia Bitcoin do Brasil, anunciou nesta quarta-feira, 12 de agosto, durante o Blockchain Rio, o lançamento do Digital Yield ETF (DIGY11), primeiro ETF listado na B3 dedicado a ações preferenciais internacionais de companhias do ecossistema Bitcoin. O fundo terá liquidez diária, proteção cambial e distribuições mensais em reais, com estreia prevista para o início de setembro. A gestão da carteira será da 3R Investimentos, o índice de referência será fornecido pela MarketVector e a administração fiduciária ficará sob responsabilidade do Banco Daycoval.

Estrutura do DIGY11 e distribuição mensal

A carteira inicial do DIGY11 será composta por ações preferenciais emitidas pela Strategy, por meio do STRC, e pela Strive, por meio do SATA. Em reais, o fundo será negociado na B3, com liquidez diária e proteção cambial para reduzir o impacto das oscilações entre o dólar e o real.

Os rendimentos recebidos dos ativos internacionais serão convertidos e distribuídos mensalmente aos cotistas, observadas as despesas e demais condições do fundo. Nas condições atuais de mercado, a estimativa é de distribuições anuais equivalentes ao CDI acrescido de aproximadamente 3% a 5%. A estimativa não considera a variação do valor das cotas e não representa garantia de rentabilidade.

O DIGY11 não investirá diretamente em Bitcoin nem busca substituir a exposição direta ao ativo. Segundo a OranjeBTC, a proposta é oferecer uma alternativa de renda para os portfólios, com cobertura patrimonial relevante e acesso à economia digital global. Desde os respectivos lançamentos, os instrumentos que compõem a carteira apresentaram volatilidade inferior à do Bitcoin, apesar do histórico ainda curto.

A estrutura de ETF reúne a estratégia em um produto local e transparente, com critérios objetivos de composição, divulgação diária da carteira e do valor patrimonial da cota e negociação diária na B3. Para o fundador e CEO da OranjeBTC, Guilherme Gomes, o fundo foi desenhado a partir da revolução que Strategy e Strive promovem no mercado de capitais dos Estados Unidos, combinando renda recorrente com alta proteção patrimonial apoiada por alguns dos maiores balanços em Bitcoin do mundo. Segundo ele, o papel da empresa foi transformar essa inovação em um produto local, negociado em reais e acessível pela B3.

Metodologia do índice e critérios de seleção

O índice de referência acompanhado pelo DIGY11 é o MarketVector Bitcoin Treasury Preferred Equity BRL Hedged Index, cuja metodologia foi desenvolvida pela OranjeBTC em parceria com a MarketVector, empresa do grupo VanEck, com mais de US$ 200 bilhões em ativos sob gestão. O indicador seleciona ações preferenciais emitidas por companhias abertas do ecossistema Bitcoin, com foco em instrumentos listados, de longo prazo ou sem vencimento e estruturados para realizar distribuições recorrentes em dólar.

A metodologia considera fatores como liquidez, participação do Bitcoin no balanço, tamanho das reservas corporativas, nível de alavancagem e histórico de pagamento das distribuições. Emissores que ultrapassam os limites de alavancagem definidos deixam de ser elegíveis, reforçando o foco em estruturas patrimoniais mais resilientes. O DIGY11 também incorpora proteção cambial.

Gomes destacou que a metodologia foi criada para ser transparente e acompanhar a evolução dessa categoria. Segundo ele, é um mercado relativamente novo, mas que já reúne emissores relevantes, instrumentos líquidos e balanços robustos. O índice foi desenvolvido para incluir outros emissores à medida que atendam aos critérios de elegibilidade.

O CFO da OranjeBTC, Guiga Ferreira, afirmou que o investidor não precisará abrir conta no exterior, realizar operações de câmbio ou selecionar individualmente cada ativo. Ele acrescentou que a estrutura local pode oferecer maior eficiência tributária em relação ao investimento direto no exterior e transforma uma estratégia internacional ainda pouco acessível em um produto local, transparente e negociado em bolsa.

Cobertura patrimonial de Strategy e Strive

A OranjeBTC afirma que um dos principais fundamentos da estratégia é a força patrimonial dos emissores. Considerando as obrigações anuais de distribuição e descontadas as obrigações com prioridade sobre esses instrumentos, as reservas combinadas de Strategy e Strive equivalem a aproximadamente US$ 2,80 em caixa e US$ 28 em Bitcoin para cada US$ 1 distribuído anualmente pelas duas companhias.

De acordo com a empresa, o caixa disponível, isoladamente, equivale a cerca de dois anos e meio de distribuições. Incluindo as reservas em Bitcoin, a cobertura patrimonial total corresponde a aproximadamente 30 anos de distribuições, aos preços atuais.

O CEO da OranjeBTC afirmou que o ponto central da tese é a força dos balanços: para cada dólar de distribuição anual, existe uma cobertura patrimonial relevante em Bitcoin e caixa. Ele classificou a estrutura como diferenciada, por combinar renda recorrente com ativos globais, líquidos e escassos.

A cobertura patrimonial não representa garantia de pagamento ou de rentabilidade. Os ativos permanecem nos balanços dos emissores, não são segregados em benefício do fundo ou de seus cotistas, e a parcela da cobertura em Bitcoin varia de acordo com o preço do ativo. O DIGY11 é um ETF de renda variável, não conta com garantia do FGC e está sujeito a riscos de mercado, crédito, liquidez e às políticas de distribuição dos emissores.

Crédito digital como nova classe de ativos

Para Michael Saylor, fundador e presidente executivo da Strategy, o Crédito Digital é uma nova classe de ativos, e vê-la chegar aos investidores da América Latina por meio de um veículo local e regulado é exatamente o tipo de expansão que o STRC foi criado para viabilizar. O DIGY11 deterá valores mobiliários de ambos os emissores.

Matt Cole, presidente do Conselho de Administração e CEO da Strive, afirmou que o Crédito Digital está evoluindo de uma inovação pioneira de uma única empresa para uma classe de ativos com múltiplos emissores e demanda global crescente. Para ele, o lançamento de um índice e de um ETF estruturados em torno dessa categoria representa um passo importante para levar renda respaldada por Bitcoin a investidores em todo o mundo.

Parcerias e próximo passo na B3

O DIGY11 é o primeiro produto da OranjeBTC no desenvolvimento de veículos financeiros voltados à economia digital, mas a companhia atua no fundo como idealizadora, consultora e investidora-âncora. A OranjeBTC também desenvolveu a metodologia do índice em parceria com a MarketVector.

A 3R Investimentos será responsável pela gestão da carteira e pela implementação da estratégia. A MarketVector atuará como provedora do índice, realizando seu cálculo e manutenção, enquanto o Banco Daycoval ficará com a administração fiduciária e a operação regulatória do fundo.

Para Tomas Awad, fundador da 3R Investimentos, o grupo reúne parceiros com competências complementares e líderes em suas áreas. Segundo ele, a combinação de conhecimento, gestão, estruturação, distribuição e infraestrutura foi fundamental para trazer uma estratégia internacional inovadora ao investidor brasileiro.

O lançamento marca a entrada da OranjeBTC no desenvolvimento de produtos financeiros da economia digital e amplia sua atuação para além da gestão de sua própria tesouraria. A empresa afirma que, desde a fundação, o objetivo foi contribuir para a construção da infraestrutura financeira do ecossistema Bitcoin, desenvolver novos produtos e aproximar essa nova economia dos investidores brasileiros. A estreia do fundo na B3 está prevista para o início de setembro.