O Breakwave Tanker Shipping ETF (BWET), fundo que acompanha o preço do transporte marítimo de petróleo, acumula alta de cerca de 3.600% no ano até o início de setembro, segundo dados da Morningstar até 11 de setembro citados pela CNBC. É o melhor desempenho entre os fundos não alavancados dos Estados Unidos, num movimento ligado à guerra entre EUA e Irã, que restringe a passagem de navios-tanque pelo Estreito de Ormuz.

A particularidade do BWET, de acordo com a CNBC, é não seguir o preço do barril. John Murillo, chief business officer da B2BROKER, disse à CNBC que o fundo é o único ETF a acompanhar o custo futuro do transporte de petróleo bruto, oferecendo exposição a contratos futuros de navios-tanque sem que o investidor precise operar diretamente nesse mercado. Segundo ele, o desempenho tem pouco a ver com o preço ou o volume do petróleo e depende sobretudo da geopolítica.

O relatório quinzenal do próprio BWET, divulgado em 8 de setembro, aponta alta de quase 500% nas tarifas das rotas de navios-tanque do Oriente Médio acompanhadas pelo fundo na comparação ano a ano. Diante das dificuldades de cruzar o Estreito de Ormuz e do surgimento de novos pontos de estrangulamento, muitas companhias de navegação decidiram evitar a região, o que alonga as rotas e encarece o frete. Na semana passada, rebeldes houthis apoiados pelo Irã assumiram o controle do porto de Mocka, no Iêmen, e autoridades da Arábia Saudita ordenaram o fechamento preventivo do oleoduto Leste-Oeste do país após ataques com drones lançados do Iraque.

Kyle Peacock, principal da Peacock Tariff Consulting, disse à CNBC que o conflito não é o único fator por trás da disparada. Tarifas e secas generalizadas, com níveis baixos de água afetando portos no Panamá e na Europa, deixaram embarcações retidas e provocaram escassez incomum de navios. Segundo ele, empresas têm aceitado pagar preços até 300% maiores por não haver alternativa disponível, e clientes antigos estão sendo trocados por quem paga mais. Peacock estima que mais de 200 navios estejam em construção em diversos países, com alguma normalização apenas em 18 a 36 meses.

Eric Fullerton, vice-presidente de marketing de produto da Project44, afirmou à CNBC que esse tipo de disrupção vem se tornando a regra. Antes da guerra, as interrupções geopolíticas de transporte ficavam em torno de 1.000 por semana e passaram de 9.000 no pico da crise, segundo a plataforma, que contabilizou 140.276 disrupções neste ano. O volume vem caindo, mas ainda é o dobro do registrado antes do conflito. Para Fullerton, os efeitos vão além do transporte de petróleo e alcançam a economia global, já que petroquímicos e insumos vindos do Golfo alimentam a produção de diversos setores.

O BWET alertou em seu relatório mais recente que a alta acelerada dos fretes levou a um volume de encomendas de novas embarcações bem acima da média histórica. Embora o desequilíbrio entre oferta e demanda seja pequeno no curto prazo, o fundo afirma esperar um saldo negativo relevante mais à frente, o que levaria a um ciclo de baixa do setor.

O movimento não se limita ao transporte marítimo. Segundo a CNBC, o índice Baltic Air Freight registrou alta de 18,1% nos fretes aéreos em agosto na comparação anual, um avanço expressivo porque agosto costuma ser um mês fraco para o modal.