A BlackRock, uma das maiores e mais influentes gestoras de ativos do mundo, com impressionantes
US$ 11,5 trilhões sob sua gestão, está intensificando sua presença no mercado brasileiro. Conhecida globalmente por seus fundos negociados em bolsa, os ETFs (Exchange Traded Funds), a gestora já domina uma parcela significativa do mercado local, com dois de seus produtos, BOVA11 e SMAL11, entre os três maiores ETFs do Brasil.
Enquanto o BOVA11 replica fielmente a composição e os pesos do principal índice de ações do país, o Ibovespa, a BlackRock agora busca inovar. A gestora está lançando dois novos ETFs que prometem oferecer uma abordagem “calibrada” para investir no mercado acionário brasileiro.
Essa iniciativa visa atender à crescente demanda por diversificação, mesmo dentro do mercado local, algo que muitos investidores brasileiros ainda não exploraram completamente. Segundo a BlackRock, o mercado de fundos passivos no Brasil tem potencial para um “boom”, semelhante ao que ocorreu nos Estados Unidos, uma vez que o investidor local entenda e “destrave” a eficiência e o potencial dos ETFs.
Ibovespa com pesos iguais e limite de concentração
Os dois novos ETFs da BlackRock, o EWBZ11 e o CAPE11, foram criados com base no novo índice da B3, o Ibovespa B3 BR+. O índice inclui não apenas ações brasileiras, mas também BDRs de empresas como Nubank, XP e PagSeguro, permitindo uma cesta de ativos mais completa. No entanto, a metodologia tradicional do Ibovespa confere pesos diferentes a cada ação, baseados principalmente no volume de negociação. Por exemplo, Itaú (ITUB4) tem 7% de peso no índice, enquanto a Vale (VALE3) tem 8% e o Nubank tem 10%.
Bruno Barino, country manager da BlackRock Brasil, explica que essa concentração excessiva pode ser um problema para alguns investidores. “Tem investidor que não quer uma exposição excessiva a essas ações, mas quer ter uma cesta mais completa que reflita a economia brasileira”, afirmou, destacando o sucesso de produtos semelhantes nos EUA.
É aí que entram os novos fundos:
- EWBZ11 (iShares Bovespa BR+ Equal Weight B3): Este ETF replica o índice Ibovespa B3 BR+ com uma metodologia de pesos iguais para todas as ações. Isso dilui o peso das grandes companhias, como Petrobras e Vale, proporcionando um maior equilíbrio e, segundo Barino, uma relação “risco x retorno” completamente diferente, especialmente por reduzir a concentração em commodities.
- CAPE11 (iShares Bovespa BR+ 5% Cap B3): Este fundo também se baseia no Ibovespa B3 BR+ com o conceito de pesos iguais, mas com um diferencial importante: um limite máximo de 5% de peso por ação. Este teto permite uma maior diversificação, ao mesmo tempo que mantém uma ponderação eficiente para os nomes mais líquidos do mercado. A BlackRock realizou testes com diferentes limites (3%, 7% e 11%) para chegar a essa escolha de 5%.
Por que a nova metodologia importa?
Para o investidor que busca diversificação e controle de risco, a nova abordagem da BlackRock pode ser um passo fundamental. A estratégia se alinha com o que Fábio Murad, CEO da SpaceMoney e criador do método Super ETF, defende em seu livro. Ele ressalta a importância de estar posicionado em ativos que ofereçam diversificação e proteção, ao invés de depender de um único mercado, mesmo que seja o doméstico.
“O investidor que pensa em liberdade de longo prazo precisa considerar onde o dinheiro dele está sendo medido”, afirma Murad. Ele argumenta que, embora o CDI tenha acumulado 142% em 10 anos, esse ganho se transforma em apenas 4% em dólar, devido à desvalorização estrutural do real e à inflação. Enquanto isso, o S&P 500 valorizou quase 190% no mesmo período.
Nesse cenário, os ETFs, tanto no exterior quanto no mercado local, se mostram como uma alternativa poderosa. Eles oferecem diversificação instantânea, alta liquidez e baixo custo. A simplicidade e a eficiência de ETFs como o BOVA11, por exemplo, eliminam a necessidade de comprar dezenas de ações individualmente, economizando tempo e dinheiro.
Murad também destaca que a alta liquidez dos ETFs americanos permite a aplicação de estratégias como a
Covered Call para gerar renda recorrente, algo que as negociações de ETFs brasileiros ainda não exploram com a mesma profundidade e que a BlackRock, por sua vez, entende ser o futuro do mercado de fundos passivos.
A BlackRock, já sendo uma das maiores gestoras de ETFs do mundo, quer aumentar sua presença no Brasil. Com o lançamento desses novos fundos, a gestora busca oferecer aos investidores brasileiros uma nova forma de diversificar, mesmo que em um contexto local. A estratégia, que já é um sucesso nos EUA, visa a capilaridade e a educação do investidor para o potencial real dos fundos passivos.