Bitcoin resiste a quedas históricas com fluxo de ETFs
Bitcoin resiste a quedas históricas com fluxo de ETFs

O Bitcoin (BTC) está 36% abaixo de sua máxima histórica de US$ 126 mil, mas analistas apontam que o atual mercado de baixa é estruturalmente diferente dos ciclos anteriores. Fluxos constantes para ETFs spot e compras corporativas estão absorvendo a pressão vendedora e limitando as perdas.

Correção atual é menor do que nos ciclos passados

O CEO da Bitcoin Bond Company, Pierre Rochard, comparou as correções históricas do BTC e concluiu que o quarto mercado de baixa do ativo se “desvinculou materialmente” dos padrões anteriores.

Os números são claros. O ciclo de 2013–2015 eliminou cerca de 85% do valor do Bitcoin. Os ciclos de 2017–2018 e 2021–2022 registraram quedas de aproximadamente 77% antes do fundo ser atingido.

Na correção atual, o Bitcoin recuou de US$ 126 mil para cerca de US$ 60 mil — uma queda de aproximadamente 52%. A magnitude é significativamente menor do que nos ciclos anteriores.

ETFs e acumulação corporativa mudam a dinâmica

Rochard atribui essa diferença estrutural a dois fatores principais: os fluxos para ETFs de Bitcoin spot e a acumulação sistemática por parte de empresas.

Esses dois vetores de demanda operam de forma contínua e absorvem parte relevante da oferta que seria vendida no mercado. O resultado é uma pressão compradora estrutural que não existia nos ciclos anteriores.

ETFs spot como amortecedor de volatilidade

Os ETFs de Bitcoin spot, aprovados nos Estados Unidos em janeiro de 2024, capturam fluxos institucionais de forma contínua. Mesmo em períodos de queda, parte desses fluxos permanece positiva, criando um piso de demanda mais resistente.

Empresas aumentam posição em BTC

A acumulação corporativa de Bitcoin ganhou escala relevante. Empresas listadas em bolsa adotaram o BTC como reserva de valor em seus balanços, reduzindo a oferta disponível no mercado e sustentando o preço em níveis mais altos do que o histórico sugeriria.

Dados do ciclo atual em perspectiva

A queda de 52% do topo ainda representa uma correção expressiva. Contudo, quando comparada às perdas de 77% e 85% dos ciclos anteriores, o recuo atual indica que a estrutura de demanda pelo ativo mudou de forma significativa desde 2021.

A análise de Rochard não implica ausência de risco. Indica, porém, que o mercado de Bitcoin opera hoje com uma base de compradores institucionais e corporativos que altera o perfil de perdas em momentos de baixa.