Gráfico de saída de ETFs de Bitcoin em maio de 2026
Gráfico mensal de fluxo de ETFs de Bitcoin mostra saída de US$ 2,39 bilhões em maio de 2026.

A indústria global de ETFs de criptomoedas reverteu o fluxo positivo de dois meses consecutivos em maio, registrando saídas líquidas de US$ 2,39 bilhões, segundo dados da TrackInsight. O total de ativos sob gestão caiu de US$ 158,7 bilhões em abril para US$ 141,1 bilhões, com os veículos listados nos Estados Unidos respondendo pela quase totalidade dos resgates. Os fluxos fora dos EUA, que já haviam desacelerado em abril, tornaram-se moderadamente negativos.

O índice CoinDesk 20 (CD20), que captura uma cesta diversificada dos 20 maiores ativos digitais, recuou 1,11% no mês, após subir 5,45% em abril. Já o índice mais concentrado CoinDesk 5 (CD5) caiu 3,73%, enquanto o Bitcoin, isoladamente, desvalorizou 3,56% — uma reversão acentuada em relação a abril, quando o Bitcoin subiu 11,87% e o CD5 avançou 9,91%. A hierarquia de retornos se inverteu: as grandes capitalizações lideraram em abril, mas em maio o índice amplo superou o restrito, indicando que a exposição diversificada ofereceu relativa proteção.

Saída concentrada em Bitcoin e Ether, altcoins atraem fluxo positivo

Os resgates se concentraram em instrumentos vinculados ao Bitcoin e ao Ether globalmente, enquanto parte do mercado de altcoins, liderada por XRP, Hyperliquid e Solana, registrou entradas líquidas, uma divergência que se ampliou ao longo do mês. Entre os maiores ganhadores de captação líquida em maio, destacam-se o NEOS Bitcoin High Income ETF (BTCI) com entrada de US$ 141,8 milhões, o Bitwise Solana Staking ETF (BSOL) com US$ 79,3 milhões, e o Morgan Stanley Bitcoin Trust (MSBT) com US$ 73,9 milhões. Outros fundos como o Bitwise Hyperliquid ETF (BHYP) adicionaram US$ 62 milhões, o iShares Staked Ethereum Trust ETF (ETHB) US$ 56,1 milhões, e o 21Shares Hyperliquid ETF (THYP) US$ 49,7 milhões.

A lista inclui ainda o NEOS Boosted Bitcoin High Income ETF (XBCI) com US$ 42,8 milhões, o Franklin XRP ETF (XRPZ) com US$ 38,7 milhões, e o iShares Bitcoin ETP (IB1T) com US$ 33,1 milhões. Esses dados mostram que, apesar da predominância de vendas em Bitcoin e Ether, produtos estruturados com estratégias de rendimento ou focados em ativos específicos como Solana e Hyperliquid conseguiram atrair capital, sinalizando apetite seletivo dos investidores.

Implicações para a alocação em ativos digitais

A inversão na hierarquia de retornos — com o CD20 caindo menos que o CD5 e o Bitcoin — sugere que a diversificação entre ativos digitais ajudou a mitigar perdas em um mês de correção generalizada. A resiliência relativa de altcoins como Solana e XRP, que conseguiram fluxo líquido positivo mesmo com o mercado em baixa, indica que o capital está buscando exposições temáticas e de menor capitalização, em vez de apostar exclusivamente nas grandes moedas.

Para investidores de longo prazo, o comportamento dos fluxos em maio reforça a importância de estratégias diversificadas dentro da classe de ativos digitais. Enquanto o Bitcoin permanece como o principal motor de liquidez e referência de valor, a capacidade de alguns ETFs altamente focados gerarem entradas mesmo em meio a saídas gerais mostra que o mercado está amadurecendo, com produtos que atendem a diferentes objetivos de risco e retorno.