O dólar à vista encerrou as negociações desta quarta-feira (5) cotado a R$ 5,1282, uma queda de 0,05%. O movimento aconteceu num pregão dominado pela expectativa em torno da reunião do Comitê de Política Monetária, cuja decisão sobre os juros só sai ainda hoje, depois do fechamento dos mercados.

A cautela dominou o comportamento dos investidores ao longo do dia. Segundo Rebecca Nossig, o clima foi de ajustes pontuais na antecipação do resultado do Copom.

“Os investidores adotaram uma postura de cautela e pequenos ajustes de posições ao longo do dia, em compasso de espera pelo Copom. Essa expectativa ajuda a conter movimentos bruscos de alta e favorece uma leve correção, puxando a cotação do dólar um pouco para baixo”, afirmou Nossig.

Expectativa pelo corte da Selic

A aposta majoritária do mercado é de um corte de 0,25 ponto percentual na Selic, o que levaria a taxa dos atuais 14,25% para 14%. A expectativa tem respaldo nos números: os Opções do Copom da B3, na última segunda-feira (3), indicavam 94,75% de chance de o Banco Central reduzir os juros de 14,25% para 14%.

Esse cenário de afrouxamento monetário tende a influenciar diretamente o fluxo de capitais estrangeiros, uma vez que a redução da taxa básica de juros pode diminuir o diferencial de juros entre o Brasil e outras economias, afetando a atratividade do real para investidores internacionais.

No entanto, a decisão do Copom ainda é cercada de incertezas, e o mercado permanece atento a qualquer sinalização sobre o ritmo futuro de cortes, o que pode gerar volatilidade nos próximos dias.

Eleições presidenciais no radar

Além da política monetária, o mercado voltou a atenção para o calendário eleitoral. Ainda no final da manhã desta quarta, Flávio Bolsonaro anunciou o nome do vice em sua chapa à Presidência: Alfredo Gaspar. A escolha não passou despercebida entre analistas.

Para Juliana Benvenuto, a definição destoou das preferências do mercado. “A escolha não está alinhada ao mercado”, avaliou.

O tema fiscal também apareceu na leitura de casas estrangeiras a respeito das eleições presidenciais, marcadas para outubro. Em nota, Chris Turner, do ING, colocou os dois nomes sob a mesma ressalva.

“Nenhum dos candidatos (nem o presidente Lula, nem Flavio Bolsonaro) parece comprometido com a austeridade fiscal”, escreveu Turner.

Apesar da avaliação, o ING mantém uma visão construtiva para o real. Segundo Turner, o diferencial de juros continua atraindo posições na moeda brasileira. “No entanto, os investidores recebem uma remuneração substancial para manter posições em real e esperamos que a moeda continue apresentando desempenho superior ao projetado pela curva a termo”, afirmou na nota.

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