Em um trimestre marcado por forte volatilidade nos preços de ouro e Bitcoin, a Tether encerrou o período de abril a junho com lucro operacional líquido de US$ 1,5 bilhão, mas viu seu colchão de reservas excedentes encolher de US$ 8,23 bilhões para US$ 4,11 bilhões. O resultado foi impulsionado principalmente pelos rendimentos das posições da companhia em títulos do Tesouro dos EUA e operações compromissadas, que continuam sustentando a geração de caixa da emissora da stablecoin USDT.

A redução pela metade da reserva de proteção ocorre em um cenário de queda nas cotações de dois dos principais ativos do balanço: o ouro recuou cerca de 15%, para pouco mais de US$ 4.000 a onça, enquanto o Bitcoin passou de US$ 68.200 para US$ 58.600 na métrica utilizada no relatório. Mesmo com o Bitcoin acumulado no balanço, a marcação a mercado derrubou o valor da posição no período.

Lucro operacional sustentado por títulos públicos

A Tether informou que o lucro operacional de US$ 1,5 bilhão no segundo trimestre reflete a continuidade da estratégia de alocar parcela relevante das reservas em ativos de renda fixa de curto prazo, especialmente títulos do Tesouro dos Estados Unidos e acordos de recompra. Esses instrumentos seguem como principal fonte de receita da companhia, reforçando a percepção de que a emissora de stablecoins se consolidou como uma espécie de fundo de renda fixa digital.

No fechamento de 30 de junho, a Tether reportou US$ 187,75 bilhões em ativos totais contra US$ 183,64 bilhões em passivos. O excesso de reservas, utilizado como proteção adicional para os detentores de USDT, ficou em US$ 4,11 bilhões, número que compara com US$ 8,23 bilhões registrados ao fim do primeiro trimestre.

Queda do colchão acende atenção do mercado

A diminuição do colchão de reservas pela metade é um ponto de atenção para analistas que monitoram a relação entre ativos e passivos da maior stablecoin do mercado. Embora o patrimônio excedente continue em patamar confortável, o ritmo de queda pode levantar questionamentos sobre a capacidade da Tether de absorver choques de curto prazo.

Por outro lado, a empresa reforçou sua política de diversificação ao aumentar as participações em ativos reais e digitais. Os dados atestados pela BDO mostram que a Tether adicionou 14 toneladas de ouro físico no trimestre, elevando o total para aproximadamente 146,2 toneladas, contra 132,2 toneladas no período anterior.

Ouro e Bitcoin em rota oposta no balanço

Apesar do aumento nas quantidades, o valor financeiro das reservas em ouro caiu de US$ 19,84 bilhões para US$ 18,84 bilhões, reflexo direto da desvalorização de cerca de 15% do metal precioso no período. A cotação do ouro ficou ligeiramente acima de US$ 4.000 por onça, o que ainda assegura uma posição relevante dentro do portfólio.

No caso do Bitcoin, a Tether acrescentou aproximadamente 1.796 BTC, elevando suas participações para 98.933 BTC. O valor dessas reservas, no entanto, recuou de US$ 6,62 bilhões para US$ 5,80 bilhões, uma vez que o preço de referência usado no relatório caiu de US$ 68.200 para US$ 58.600.

Emissão de USDT segue em expansão

O balanço da Tether também mostra um crescimento moderado na emissão de USDT, que avançou cerca de US$ 446 milhões durante o segundo trimestre, alcançando US$ 184,6 bilhões. O movimento indica demanda contínua por stablecoins em um ambiente de liquidez global ainda sensível a mudanças na política monetária.

A combinação de lucro operacional robusto e expansão na emissão de stablecoins reforça a posição dominante da Tether no mercado, mas a redução do colchão de reservas e a marcação a mercado dos ativos digitais devem permanecer no radar de investidores institucionais e reguladores.