O SBI Group, maior corretora online do Japão com mais de 14 milhões de usuários e US$ 308 bilhões sob custódia, deu um passo decisivo para consolidar o primeiro império digital transfronteiriço da Ásia. Nesta sexta-feira, a holding nipônica anunciou a aquisição de participação majoritária na plataforma cripto Coinhako, sediada em Singapura e detentora de licença de Instituição de Pagamento Principal emitida pelo Monetary Authority of Singapore (MAS), sinalizando uma escalada estratégica na região.

Aquisição da Coinhako e licenciamento em Singapura

O negócio com a Coinhako representa a peça central de um plano ambicioso de conectar exchanges em todo o continente asiático. Yoshitaka Kitao, CEO do SBI Holdings, declarou que o grupo busca estabelecer um corredor global para ativos digitais interligando mercados locais. A plataforma singapurense já opera em conformidade com o arcabouço regulatório local, o que confere ao SBI uma vantagem competitiva imediata na praça financeira do Sudeste Asiático.

Além da compra da Coinhako, o SBI vem expandindo sua presença regional por meio de uma parceria recente com a Solana Foundation e aquisições complementares, como a planejada compra da exchange Bitbank em Tóquio e investimentos na EDX Markets e na Gauntlet. Esse conjunto de movimentos revela uma abordagem metódica de controle sobre toda a cadeia de valor dos ativos digitais, desde a custódia até a negociação e tokenização.

Tokenização de ativos japoneses com Ondo Finance

Na véspera do anúncio da Coinhako, o SBI Group fechou uma parceria com a Ondo Finance para tokenizar ações japonesas e outros ativos do mercado local. O acordo prevê o uso da stablecoin JPYSC, emitida pelo próprio SBI, como moeda de liquidação nas transações on-chain. A iniciativa insere o grupo no crescente segmento de tokenização de ativos do mundo real (RWA), que promete desbloquear liquidez e eficiência operacional para investidores institucionais.

A stablecoin JPYSC, contudo, ainda não pode ser movimentada para carteiras externas, o que indica que o SBI está construindo uma infraestrutura proprietária de settlement digital. A estratégia é similar à adotada por grandes bancos centrais em projetos-piloto de moedas digitais, mas focada em ativos corporativos e de renda variável. A parceria com a Ondo Finance, especialista em tokenização, acrescenta camadas de sofisticação técnica ao ecossistema do grupo.

Expansão regional com Solana e consolidação de exchanges

A aliança com a Solana Foundation, anunciada no início da semana, reforça a aposta do SBI em blockchains de alto desempenho para suportar o volume de transações esperado em sua rede de exchanges. A escolha da Solana, conhecida por sua escalabilidade e baixos custos de transação, sinaliza que o grupo prioriza eficiência operacional na liquidação de operações cambiais e de tokenização.

Paralelamente, o movimento de aquisição da Bitbank em Tóquio e os investimentos na EDX Markets (plataforma institucional dos EUA) e na Gauntlet (gestão de risco DeFi) demonstram uma visão de longo prazo, focada em capturar valor em diferentes camadas do mercado cripto, sem depender de ciclos especulativos de curto prazo. A diversificação geográfica e funcional coloca o SBI em posição única para se tornar o hub de ativos digitais mais relevante da Ásia.