A SBI Holdings, conglomerado financeiro japonês, recebeu sinal verde da Autoridade Monetária de Singapura (MAS) para assumir o controle acionário da Holdbuild, holding controladora da exchange de criptomoedas Coinhako. A transação, concluída nesta quinta-feira, 17 de julho de 2026, torna a Coinhako uma subsidiária consolidada do grupo, ampliando sua atuação no ecossistema de ativos digitais do Sudeste Asiático.

A Coinhako opera sob licença de Instituição de Pagamento Principal emitida pelo banco central de Singapura, o que confere segurança jurídica para a operação. Embora os valores envolvidos não tenham sido revelados, a aquisição representa um passo relevante na estratégia da SBI de integrar serviços financeiros tradicionais com infraestrutura on-chain e soluções de stablecoins.

Expansão estratégica no Sudeste Asiático

Segundo comunicado oficial da SBI, Singapura é peça central na estratégia de ativos digitais do grupo, e a compra da Coinhako fortalecerá a presença regional. A empresa planeja realizar neste verão o primeiro encontro de gerentes de agências no exterior em Singapura, com objetivo de consolidar a base de negócios local. A integração combinará a base de clientes da exchange com a rede de serviços financeiros da SBI, incluindo a stablecoin JPYSC, atrelada ao iene.

A aquisição não é um movimento isolado. Nos últimos meses, a SBI acelerou investimentos em ativos digitais, liderando uma rodada Série C de US$ 76 milhões na corretora institucional EDX Markets e anunciando planos de adquirir a Bitbank por US$ 289 milhões, criando uma das maiores corretoras de criptomoedas do Japão. Esses movimentos indicam uma consolidação do setor sob grandes grupos financeiros tradicionais.

Foco em tokenização e finanças descentralizadas

Além da aquisição, a SBI firmou parceria com a Ondo Finance para tokenizar ações japonesas e utilizar a stablecoin JPYSC como meio de liquidação e garantia. Em fevereiro, em conjunto com o Startale Group, lançou o Strium, um blockchain de camada 1 voltado para títulos tokenizados e ativos do mundo real (RWAs). A rede oferece suporte a negociações 24 horas por dia, 7 dias por semana, liquidação de ações tokenizadas e aplicações financeiras institucionais.

Essa infraestrutura visa atrair capital institucional para o mercado cripto, combinando a confiabilidade de um conglomerado financeiro com a eficiência de blockchains dedicados. O movimento da SBI reforça a tese de que a tokenização de ativos reais será um dos principais vetores de adoção do setor nos próximos anos, e Singapura se posiciona como hub regulatório ideal para essas iniciativas.

Impacto no mercado e perspectivas regulatórias

A aprovação da MAS sinaliza um ambiente regulatório favorável em Singapura para fusões e aquisições no setor de criptomoedas, contrastando com posturas mais restritivas em outras jurisdições. A consolidação de exchanges sob grandes grupos financeiros pode trazer mais liquidez e segurança para o mercado, mas também levanta questões sobre centralização e concentração de poder.

Para investidores, a movimentação da SBI indica confiança no potencial de longo prazo dos ativos digitais, especialmente em stablecoins e tokenização. A combinação de licenças regulatórias, base de clientes estabelecida e capital institucional pode acelerar a adoção de finanças descentralizadas na Ásia, criando novas oportunidades de investimento em produtos tokenizados. Este movimento também reforça o papel de Singapura como centro financeiro digital, atraindo mais players institucionais para o ecossistema de criptomoedas.