O ex-diretor da Blockstream Samson Mow, hoje executivo da Jan3, declarou nesta terça-feira (15) que só haverá conversa com os autores do ataque à rede Liquid se todos os bitcoins furtados voltarem. Ele tratou o episódio como extorsão e afirmou que a taxa exigida pelos invasores não encontra justificativa nos padrões do setor.
O episódio começou em seis de setembro e resultou no desaparecimento de 4 mil bitcoins. Em seguida, 3.400 moedas retornaram e cerca de 600 continuaram com os criminosos, que as reivindicaram como espécie de prêmio por terem localizado brechas. A Liquid recusou o acerto e cobrou a devolução integral.
Mow questionou se o valor pedido chegaria a bilhões caso os invasores atingissem todos os recursos da rede. Desenvolvedores atribuíram a falha ao código da plataforma, e o executivo respondeu que defeitos de programação são naturais no ofício. Ele também classificou como inútil boicotar produtos da Blockstream, pois os profissionais ligados à falha já atuam em outras marcas disputadas pelo mesmo público.
Conforme Mow, negar o resgate obedece a uma lógica de proteção: pagar 400 moedas para recuperar só 200 não compensa. Os atacantes ainda controlam 598 bitcoins. Misturadores de saldo envolvem riscos, e há criminosos localizados e detidos depois de usá-los. Para o executivo, os ladrões buscam respaldo governamental para dar aparência legal à fortuna, e um acerto formal converteria o produto do crime em dinheiro declarado ao fisco dos Estados Unidos.
Na rede Liquid, os fundos de investidores globais somam US$ 5 bilhões. Na visão de Mow, ceder à extorsão definiria um parâmetro de valores e serviria de estímulo a outros hackers que encontrarem novas brechas. Por questões legais, a diretoria está impedida de fechar acordos que envolvam recursos de clientes sob coação.





