Jesse Pollak, criador da blockchain Base e figura central no ecossistema de layer 2 da Coinbase, anunciou seu afastamento da liderança do aplicativo Base após reconhecer publicamente que sua estratégia focada em experiências sociais não gerou a adoção esperada. Em comunicado divulgado na quarta-feira, Pollak afirmou que o mercado de criptomoedas migrou rapidamente para aplicações financeiras como contratos perpétuos e mercados de previsão, segmentos onde a Base ficou para trás em escala. A decisão marca uma virada na trajetória da rede, que agora priorizará ferramentas de negociação, pagamentos e agentes de inteligência artificial, alinhando-se ao movimento do CEO da Coinbase, Brian Armstrong, que dias antes admitiu que as moedas de conteúdo não funcionaram como planejado.
Mudança de rota da Base rumo às finanças descentralizadas
De acordo com dados da Dune Analytics, o mercado de previsão nativo da Base, Limitless, capturou apenas 0,5% do volume nocional mensal total em julho de 2026, enquanto a DEX perpétua Avantis ocupou a 18ª posição em volume nos últimos 30 dias, segundo a DefiLlama. Esses números contrastam com a ambição inicial de Pollak de impulsionar a adoção por meio de aplicativos sociais como Farcaster, Zora e miniaplicativos. A mudança estratégica começou em fevereiro, quando a Base descontinuou o programa Creator Rewards e o feed social baseado em Farcaster, redirecionando o foco para ativos negociáveis. Pollak admitiu que o aplicativo Base era um cliente Farcaster imperfeito e que a aposta em redes sociais desviou a base de usuários de áreas críticas como perps e mercados de previsão, agora dominadas por concorrentes.
A liderança do aplicativo Base será transferida para Jordan Fish, conhecido como Cobie, enquanto Pollak se concentrará exclusivamente no desenvolvimento da blockchain Base. A Coinbase, controladora da rede, já vinha sinalizando a necessidade de ajustes no roadmap após o reconhecimento do CEO Brian Armstrong sobre o erro com moedas de conteúdo. A reação do mercado foi contida, com o token nativo da Base, se houver, sendo negociado lateralmente, mas analistas apontam que o reposicionamento pode fortalecer a rede no longo prazo ao focar em segmentos de alta liquidez.
Padrão B20 e agentes de IA como pilares do novo ciclo
Na semana passada, a Base ativou o padrão de token B20 em sua mainnet, criando uma estrutura nativa para stablecoins, ativos do mundo real tokenizados (RWAs) e outros tokens fungíveis. Essa infraestrutura é vista como fundamental para atrair emissões de stablecoins e projetos de tokenização, setores que devem crescer exponencialmente nos próximos anos. Em maio, a plataforma lançou o Base MCP (Model Context Protocol), permitindo que usuários gerenciem criptomoedas diretamente de interfaces de IA e interajam com protocolos como Morpho, Uniswap e Aerodrome. Em abril, a Base anunciou atualizações em sistemas essenciais para suportar uma economia baseada em agentes de IA, destacando a tokenização e as stablecoins como vetores de crescimento para 2026.
O volume total bloqueado na Base, que ultrapassa US$ 3 bilhões, reflete a confiança do mercado na capacidade técnica da rede, mas a competição com outras L2s e soluções de escalabilidade exige movimentos mais agressivos. Pollak afirmou que a Base quer ser o local onde o dinheiro do mundo será liquidado no próximo século, uma ambição que agora depende da execução correta das novas prioridades. Enquanto isso, o mercado de criptomoedas observa se a saída de Pollak do aplicativo é um sinal de reestruturação interna ou o início de uma nova fase para o ecossistema Base.





