
Uma falha crítica no processo de validação de transações da ponte da Tx, ecossistema blockchain formado pela fusão entre Coreum e Sologenic, viabilizou um ataque que drenou aproximadamente 199.916 XRP do XRP Ledger, o equivalente a R$ 1 milhão. O incidente, ocorrido no sábado (9), foi divulgado pela empresa na terça-feira (11), que confirmou a existência de uma brecha na leitura de dados da bridge.
A companhia explicou que a ponte apresentou um erro no registro de transações que não resultaram na entrega de XRP, fazendo com que depósitos inexistentes fossem tratados como válidos. Essa falha na interpretação dos dados abriu caminho para o invasor enviar 94 pagamentos fraudulentos em 97 minutos, com cada transação sendo aprovada por 17 dos 28 relayers que sustentam o consenso da bridge.
O mecanismo da exploração
A raiz do problema estava na lógica de confirmação de depósitos. A ponte confiava em registros internos para liberar os fundos, mas não validava corretamente se as transações de origem haviam de fato ocorrido no XRP Ledger. Com isso, o atacante conseguiu forjar a entrada de recursos sem realizar qualquer envio real.
Esse tipo de vulnerabilidade é especialmente sensível em pontes, que funcionam como intermediárias entre redes distintas. No caso da Tx, o processo de aprovação dependia da maioria dos relayers, mas a falha de software permitiu que as operações fraudulentas fossem apresentadas como autênticas, enganando o sistema de validação.
Dados divulgados pela equipe mostram que o invasor agiu de forma metódica, distribuindo as 94 transações ao longo de 97 minutos. O volume movimentado em um período tão curto sugere uma automação do ataque, possivelmente via scripts, para maximizar a captura antes que qualquer medida de contenção fosse acionada.
A rota de fuga dos ativos
Após consolidar o saldo em XRP, o criminoso converteu os valores para Ethereum, utilizando a rede THORChain para a transferência entre blockchains. A escolha do THORChain indica uma tentativa de dificultar o rastreamento, já que o protocolo oferece swaps atômicos sem necessidade de KYC.
Os recursos foram então encaminhados ao Tornado Cash, um mixer amplamente utilizado para anonimizar transações. O serviço mistura fundos de diversos usuários, dificultando a atribuição dos endereços de origem e destino. Esse padrão já foi observado em outros ataques relevantes ao ecossistema DeFi.
A Tx afirmou que está monitorando o fluxo dos recursos e acionou consultorias especializadas em análise on-chain. A recuperação de valores em casos com uso de mixers é complexa, mas não impossível, especialmente quando há cooperação de exchanges e de órgãos reguladores.
As medidas de contenção e o contexto institucional
Diante do incidente, a equipe da Tx corrigiu o código que apresentava a brecha e suspendeu a ponte para evitar novas explorações. A ação imediata impediu que o atacante continuasse a drenar fundos, mas não reverteu o prejuízo já contabilizado.
Lançada em março, a Tx nasceu da integração entre Coreum e Sologenic. Antes da entrada em operação, a plataforma foi submetida a avaliações de segurança conduzidas por times internos e empresas independentes, o que reforça o desafio de antecipar vetores de ataque inovadores em infraestruturas descentralizadas.
Além das correções internas, a companhia acionou o Internet Crime Complaint Center (IC3), unidade ligada ao FBI. A comunicação oficial aumenta as chances de rastreamento e possibilita o congelamento de ativos em exchanges, desde que as autoridades consigam identificar as contas envolvidas.
O impacto no mercado de XRP
Apesar do episódio, o preço do XRP manteve-se estável próximo de US$ 1, refletindo um valor de mercado de aproximadamente US$ 64 bilhões. Em um período de 30 dias, o XRP registrou desvalorização de aproximadamente 5,5%, um movimento que pode ser atribuído a fatores macroeconômicos e à aversão a risco no setor de criptomoedas.
O ataque à ponte da Tx não afetou diretamente o XRP Ledger, mas expõe a fragilidade de soluções de interoperabilidade. Investidores e operadores de infraestrutura devem redobrar a atenção em riscos operacionais, uma vez que incidentes em pontes já resultaram em perdas bilionárias no mercado em anos recentes.
Você pode acompanhar as cotações e os highlights do mercado de investimentos em tempo real aqui na SpaceMoney. A transparência na divulgação do incidente, entretanto, pode ser um diferencial competitivo para a Tx, que busca consolidar sua reputação em um setor onde a confiança é um ativo essencial. A expectativa é que novas auditorias e medidas de segurança sejam anunciadas nos próximos dias.





