As carteiras de criptomoedas montadas por quatro instituições do mercado para setembro convergem para um mesmo ponto: o bitcoin (BTC) é a recomendação unânime entre os analistas, em um cenário marcado pela expectativa em torno dos juros americanos, pela retomada dos fluxos para os ETFs à vista e pelo avanço da regulação nos Estados Unidos.
As seleções foram divulgadas por Marcelo Person, da Foxbit, Felipe Mendes, da Vault Capital, Pedro Fontes, do Mercado Bitcoin (MB), e Julian Colombo, analista da Bitso. Embora as carteiras tenham composições distintas, todas enxergam no BTC o ativo mais bem posicionado para capturar o retorno do capital institucional e o momento de maior apetite por risco no setor.
Por que o bitcoin é consenso
Na Foxbit, o bitcoin permanece como a principal referência do mercado, beneficiado pela retomada das entradas nos ETFs à vista e pela expectativa em torno das próximas decisões do Federal Reserve. A leitura é a de que o comportamento dos juros americanos tende a definir o rumo dos ativos digitais nas próximas semanas.
A Vault Capital também aposta no ativo como principal exposição ao cenário macroeconômico. Em relatório enviado ao Crypto Times, a casa afirma que a tese do BTC em setembro depende menos de narrativas específicas do setor e mais da continuidade das condições de liquidez globais e da demanda institucional pelos ETFs americanos.
Já a Bitso acrescenta um novo elemento ao debate: a preocupação crescente com a sustentabilidade da dívida pública americana. A corretora destaca que o fundador da Bridgewater Associates, Ray Dalio, recomendou recentemente menor exposição a títulos de dívida e maior participação em ativos como ouro e bitcoin, reforçando o papel da criptomoeda como potencial instrumento de proteção contra riscos monetários.
Além disso, a ampliação das operações de recompra de títulos pelo Tesouro americano é citada como fator que pode contribuir para a liquidez global e, consequentemente, para o desempenho do bitcoin.
Ethereum e solana entre as favoritas
Entre as altcoins, ethereum (ETH) e solana (SOL) são as principais apostas, com três recomendações cada. Ambas as redes aparecem nas carteiras da Foxbit, do Mercado Bitcoin e da Bitso, refletindo a expectativa de que blockchains consolidadas possam capturar parte relevante do fluxo institucional em um ambiente regulatório mais favorável.
A Foxbit destaca o avanço da atualização Glamsterdam no Ethereum e a relevância crescente da rede em segmentos como stablecoins, finanças descentralizadas (DeFi) e tokenização de ativos. O Mercado Bitcoin reforça que a possível evolução regulatória nos Estados Unidos pode favorecer blockchains consolidadas, enquanto níveis recordes de ETH em staking ajudam a reduzir a oferta disponível no mercado.
No caso da Solana, tanto Foxbit quanto Mercado Bitcoin apontam melhorias de infraestrutura e ganhos de eficiência como fatores de destaque. A Bitso também incluiu o ativo em sua seleção, ressaltando o impacto das atualizações da Agave 4.2 e o fortalecimento do fluxo institucional para a rede.
Hyperliquid divide opiniões
A Hyperliquid (HYPE) aparece nas recomendações da Foxbit e do Mercado Bitcoin. Ambas as instituições enxergam valor no modelo de recompra de tokens financiado pelas receitas geradas pela plataforma de derivativos descentralizados.
A Bitso, por outro lado, adota uma postura mais cautelosa. Segundo a análise, apesar da atividade elevada da rede, há preocupações relacionadas à queda de receitas, enfraquecimento dos fluxos e desbloqueios recorrentes de tokens, fatores que podem limitar o potencial de valorização no curto prazo.
Chainlink, Tron e apostas temáticas
A Vault Capital seguiu por um caminho diferente ao incluir chainlink (LINK) e tron (TRX) em sua carteira. Para a gestora, a Chainlink se beneficia da expansão do uso institucional de sua infraestrutura de interoperabilidade, enquanto a Tron se destaca pelo crescimento do volume de transações com stablecoins, funcionando como uma aposta mais defensiva dentro do universo cripto.
O Mercado Bitcoin acrescentou ainda Uniswap (UNI), Aave (AAVE) e Virtuals Protocol (VIRTUAL), citando mecanismos de recompra de tokens, crescimento do setor de finanças descentralizadas e oportunidades ligadas à tokenização de agentes de inteligência artificial.
USDC e PAXG ampliam espectro das carteiras
A Bitso foi a única instituição a incluir ativos não presentes nas demais carteiras. Entre eles está a USD Coin (USDC), cuja tese está ligada ao lançamento da rede Arc pela Circle, previsto para 16 de setembro. A infraestrutura deverá utilizar a stablecoin como ativo nativo e contar com instituições como BlackRock, Visa, Mastercard, ICE e Standard Chartered entre os validadores fundadores.
Outra recomendação exclusiva é o PAX Gold (PAXG), token lastreado em ouro físico. Segundo a corretora, o aumento das preocupações com dívida soberana e desvalorização monetária pode impulsionar a busca por ativos defensivos tokenizados, em linha com a recente recomendação de alocação em ouro feita por Ray Dalio.
Completam a lista de recomendações para setembro XRP, mencionado por uma instituição, e um total de doze ativos distribuídos entre as quatro carteiras analisadas.





