A gestora de ativos digitais Bitwise publicou um artigo em que avalia os efeitos da rejeição do Clarity Act no Senado dos Estados Unidos sobre o mercado de criptomoedas. Para Matt Hougan, diretor de Investimentos da empresa, o setor está em situação mais favorável sem o projeto do que estaria com ele aprovado.
Segundo a Bitwise, o texto prometia segurança jurídica, mas perdeu força após concessões feitas para tentar conquistar votos. Depois da derrota no Senado, reguladores americanos apresentaram medidas que, na avaliação da gestora, são melhores que as previstas no projeto.
A Bitwise aponta quatro setores favorecidos. Os bancos pressionavam senadores para impedir que stablecoins pagassem rendimentos a clientes, e Jamie Dimon, CEO do JP Morgan, classificou a prática como concorrência desleal. O texto final proibia as plataformas de oferecer juros ou rendimentos sobre stablecoins “sob qualquer forma”, com multas de até US$ 5 milhões por infração. Como o projeto caiu, o Genius Act, aprovado em 2025, segue em vigor: ele veda a emissão de stablecoins com rendimento, mas não trata de corretoras, o que, segundo a gestora, abre espaço para recompensas sem limite federal, modelo usado pela Coinbase para atrair clientes.
A Bitwise também cita as corretoras, que deixam de ter uma licença nacional de negociação à vista prevista no projeto — hoje a autorização é estadual —, e as plataformas de tokenização. O Clarity determinava um estudo da SEC sobre títulos tokenizados, enquanto, sem ele, a autarquia aprovou uma autorização temporária para testes no setor. As ações da Securitize (SECZ) subiram 113,4% na sequência, segundo a gestora.
No mercado, o Bitcoin avançou 8% e o Ethereum, 7%. Tokens que usam receita de protocolo para recomprar a própria oferta tiveram desempenho maior, caso de NEAR (+104%), Hyperliquid (+15%) e Uniswap (+49%). A Bitwise lembra que a SEC publicou perguntas e respostas indicando que, com a rede em funcionamento, anunciar um programa de recompra não transforma o token em valor mobiliário. A gestora ressalta, porém, que uma eventual mudança na presidência dos EUA e nos comandos da SEC e da CFTC pode pressionar o setor após 2029.





