Apreensão de criptomoedas do Hamas em operação do DOJ e FBI
Departamento de Justiça dos EUA anuncia apreensão de US$ 560 mil em cripto do Hamas

Nesta quarta-feira, 2 de setembro de 2026, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos (DOJ) anunciou a apreensão de mais de US$ 560 mil em criptomoedas que teriam como destino o Hamas, grupo palestino classificado como organização terrorista por Washington. Paralelamente, agentes do FBI passaram a controlar domínios e servidores utilizados pelo grupo para arrecadar fundos, em uma operação que uniu investigações financeiras e tomada de infraestrutura digital.

Mandados de 2025 e a soma de US$ 560 mil

De acordo com os cinco affidavits divulgados pelo DOJ, três mandados de busca e apreensão relacionados a criptoativos foram executados no ano anterior. As datas são 25 de março, 25 de junho e 10 de outubro de 2025, e o valor total recuperado nesses procedimentos chega a US$ 560 mil.

Os documentos, tornados públicos no anúncio oficial de quarta-feira, detalham como a investigação identificou o fluxo de recursos que seguia para as Brigadas Al-Qassam. O foco, segundo o DOJ, era interromper o repasse de doações internacionais que sustentam o braço militar do Hamas, um dos principais alvos das sanções americanas na região.

FBI assume o controle de sites e servidores de arrecadação

A segunda frente da operação, coordenada pelo FBI, resultou no controle de domínios e servidores, com especial referência ao Alqassam.ps. O endereço era utilizado na campanha de arrecadação das Brigadas Al-Qassam, e sua apreensão digital visa impedir novas doações.

Dois affidavits adicionais, assinados em 29 de julho e 18 de agosto de 2026, cobrem exatamente essa etapa. Ao assumir a infraestrutura, as autoridades americanas passaram a monitorar as tentativas de acesso e a coleta de dados de possíveis contribuintes, ao mesmo tempo em que bloqueavam o fluxo de recursos.

Esse tipo de ação é significativo porque ataca o elo entre o doador e o destino final dos ativos. Mesmo que os sites não sejam o único canal de financiamento, a tomada de controle reduz a visibilidade e a credibilidade das campanhas digitais do grupo.

Inteligência humana e rotatividade dos endereços digitais

O DOJ revelou que a operação contou com inteligência humana para acompanhar endereços de criptomoedas que eram constantemente trocados. Essa técnica permitiu que os investigadores mantivessem o rastro das doações, coletando informações sobre milhares de pessoas que tentaram enviar dinheiro ao Hamas.

A abordagem mostra que a rotatividade de chaves públicas, adotada para dificultar o rastreamento, não impede a ação das autoridades quando há recursos humanos dedicados e mandados judiciais. No contexto mais amplo, o anúncio evidencia o esforço contínuo do governo americano para fechar as brechas que organizações terroristas buscam em negociações com criptomoedas.

Para o setor financeiro e os participantes do setor de ativos digitais, a notícia serve como alerta sobre a importância de mecanismos de conformidade no universo das criptomoedas. A capacidade de apreender valores e mapear doadores indica que os fluxos ilícitos estão na mira das agências de investigação.