
O mercado de tokenização de ativos já superou US$ 33 bilhões e caminha para se tornar um setor de trilhões de dólares na próxima década, impulsionado pela convergência entre blockchain e inteligência artificial. A tese é defendida por John Hoffman, novo head de produtos de portfólio da Ondo Finance, que compara o momento atual com o início da revolução dos ETFs, há mais de vinte anos. Para ele, agentes de IA serão os próximos grandes consumidores de ativos tokenizados, exigindo infraestrutura de negociação totalmente onchain.
Convergência entre blockchain e IA
Em entrevista ao CoinDesk, Hoffman – ex-executivo da Invesco e Grayscale – afirmou que o futuro dos mercados será construído sobre trilhos blockchain. Segundo ele, os agentes de inteligência artificial vão comprar, vender e alocar capital por meio de produtos de investimento tokenizados, tornando a negociação autônoma e em tempo real. Essa visão conecta duas das maiores tendências atuais: a digitalização de ativos financeiros tradicionais e o avanço da IA generativa.
Wall Street já abraçou a tokenização, com bancos, gestoras e exchanges testando versões tokenizadas de títulos, fundos e ações. A expectativa é que a infraestrutura baseada em blockchain torne os mercados mais rápidos e eficientes, reduzindo custos de custódia e liquidação. Hoffman destaca que a próxima onda de demanda ainda não chegou, mas virá com a maturação dos agentes autônomos.
Tokenização espelha trajetória dos ETFs
Hoffman traça um paralelo direto entre o crescimento da tokenização e o dos ETFs. No início dos anos 2000, quando ele ingressou no setor, os ETFs acumulavam cerca de US$ 200 bilhões em ativos. Muitos os chamavam de ‘armas de destruição em massa’. Hoje, o mercado global de ETFs ultrapassa US$ 20 trilhões, segundo relatório da PwC. A tokenização, argumenta, segue o mesmo caminho de adoção lenta no começo e explosão posterior.
O executivo acredita que a resistência inicial à tokenização é semelhante à que os ETFs enfrentaram. Com o tempo, a utilidade e a eficiência devem convencer investidores institucionais e reguladores. A Ondo Finance, focada em tokenização de renda fixa e ativos do mundo real, posiciona-se como ponte entre o mercado tradicional e o cripto.
Projeções de mercado bilionárias
Os números reforçam a tese de Hoffman. O mercado de ativos tokenizados – que inclui bonds, fundos e equities em blockchain – quase triplicou no último ano, atingindo US$ 33 bilhões, conforme dados da RWA.xyz. O Citi projeta que o setor pode alcançar US$ 5,5 trilhões até 2030, enquanto um estudo conjunto do Boston Consulting Group e da Ripple estima US$ 18,9 trilhões até 2033. Esses valores colocam a tokenização em patamar comparável ao dos ETFs em sua fase de expansão.
Para investidores, o significado prático é a emergência de uma nova classe de ativos digitais lastreados em papéis tradicionais, com liquidez potencialmente maior e acesso global. A integração com IA promete automatizar estratégias de portfólio, criando fundos inteligentes que rebalanceiam exposição em tempo real. Ainda há desafios regulatórios e de padronização, mas a direção é clara: o mercado está se movendo para blockchain.





