
Um novo relatório da Bitso Business divulgado durante a Stablecoin Conference 2026 revela uma mudança significativa no comportamento dos investidores de varejo na América Latina. De acordo com o Stablecoin Landscape Report, que analisou dados de mais de 1.900 clientes institucionais e 10 milhões de usuários de varejo da plataforma, as stablecoins USDC e USDT representaram juntas 40% de todas as compras realizadas no primeiro semestre de 2026, enquanto o Bitcoin respondeu por apenas 18%. O fenômeno, batizado de ‘dolarização digital’, mostra que os consumidores estão migrando para ativos atrelados ao dólar como forma de proteção contra a volatilidade cambial e inflação local.
Dolarização digital e o avanço das stablecoins
O conceito de dolarização digital, conforme descrito no relatório, refere-se à utilização de stablecoins como representações digitais do dólar americano em transações cotidianas, sem a necessidade de contas bancárias estrangeiras. Na América Latina, países como Argentina, Brasil e México têm visto um crescimento acelerado no uso de USDC e USDT, não apenas como ativos de passagem para negociação de criptomoedas, mas como instrumentos de preservação de valor e meio de pagamento. A Bitso destaca que essa tendência é impulsionada pela facilidade de acesso via blockchain e pela redução de custos em comparação com a dolarização tradicional.
Os dados do relatório indicam que, pela primeira vez, as stablecoins superaram o Bitcoin em volume de compras entre usuários de varejo. Para a empresa, isso representa uma ‘nova fase’ na adoção de criptoativos na região, onde as stablecoins deixam de ser meras ferramentas de especulação e passam a integrar a infraestrutura financeira cotidiana. Ainda assim, o Bitcoin manteve sua relevância como reserva de valor, mas perdeu espaço em transações do dia a dia.
Comportamento do varejo e mudança estrutural
A pesquisa da Bitso reforça que os consumidores estão enxergando as stablecoins como uma alternativa viável ao dinheiro fiduciário em economias instáveis. Em vez de utilizar Bitcoin como porta de entrada para o mercado cripto, muitos novos usuários estão comprando diretamente USDC ou USDT para realizar pagamentos, enviar remessas ou proteger suas economias. Esse comportamento é evidenciado pelo fato de que as stablecoins representam 40% das compras, mais que o dobro da participação do Bitcoin.
Além disso, o relatório aponta que bancos e empresas também estão ampliando o uso de stablecoins para tesouraria, liquidação internacional e pagamentos. A dolarização digital permite que essas instituições operem com maior eficiência, evitando as taxas e atrasos dos sistemas tradicionais. Esse movimento corporativo, aliado à adoção no varejo, cria um ecossistema onde as stablecoins se consolidam como uma camada crítica da infraestrutura financeira global.
Implicações para o mercado de criptoativos
A predominância das stablecoins sobre o Bitcoin no varejo levanta questões sobre o futuro da criptomoeda mais famosa como meio de troca. Embora o Bitcoin ainda domine como ativo de investimento e reserva de valor, sua utilidade como moeda corrente vem sendo desafiada pelas stablecoins, que oferecem estabilidade cambial e baixa volatilidade. Para o mercado de criptoativos, essa tendência pode significar uma segmentação mais clara: Bitcoin como ouro digital e stablecoins como dinheiro digital.
No entanto, a Bitso ressalta que o avanço das stablecoins não representa necessariamente uma queda do Bitcoin, mas sim uma maturação do mercado. Com a infraestrutura blockchain se expandindo, a convivência entre diferentes tipos de ativos digitais tende a se tornar mais comum. O relatório conclui que a dolarização digital é um fenômeno irreversível, com potencial para transformar a economia latino-americana nos próximos anos.





