
O avanço de uma das principais propostas de regulamentação do mercado de criptomoedas nos Estados Unidos sofreu um revés nesta quinta-feira (15), após a Coinbase retirar apoio ao projeto e o Comitê Bancário do Senado adiar a votação prevista.
A decisão interrompeu momentaneamente a tramitação do Digital Asset Market Clarity Act, texto que buscava estabelecer regras mais claras para o setor. O adiamento ocorreu depois que a exchange sinalizou discordâncias relevantes com pontos centrais da proposta, levando o presidente do comitê, senador Tim Scott, a classificar o movimento como uma “pausa breve”.
Coinbase recua e projeto entra em impasse
A Coinbase anunciou a retirada de apoio ao projeto na véspera da audiência, em um movimento considerado decisivo para o atraso da votação. Segundo a empresa, o texto atual impõe restrições excessivas ao setor, incluindo o que classificou como um banimento indireto de ações tokenizadas e limitações à atuação de plataformas de finanças descentralizadas (DeFi).
Outro ponto sensível é a proibição do pagamento de rendimentos sobre stablecoins mantidas em plataformas, prática defendida por exchanges e vista como uma ameaça direta ao modelo de captação dos bancos tradicionais.
Apesar do recuo, a empresa afirmou que segue confiante em uma solução negociada e que continuará participando das discussões.
Impacto no mercado foi limitado
Mesmo com o impasse regulatório, o efeito sobre os preços das criptomoedas foi moderado. O Bitcoin recuava para a faixa dos US$ 95 mil, após ter se aproximado de US$ 98 mil no pregão anterior. A criptomoeda chegou a tocar US$ 97.700 antes do adiamento da votação.
O Ethereum registrava queda próxima de 1,4%, sendo negociado em torno de US$ 3.303, enquanto o XRP recuava cerca de 2,9%, cotado próximo de US$ 2,07.
As ações da Coinbase fecharam em baixa de 6,5%, refletindo a cautela dos investidores diante do atraso regulatório.
Disputa entre bancos e setor cripto
A controvérsia em torno do projeto evidencia o embate entre o setor financeiro tradicional e as empresas de ativos digitais. Entidades que representam bancos regionais alertam que permitir rendimentos sobre stablecoins poderia provocar forte migração de depósitos, afetando crédito e liquidez.
Um estudo recente estima que a liberação desse tipo de remuneração poderia reduzir depósitos bancários em até US$ 1,3 trilhão, além de comprometer o volume de empréstimos no sistema financeiro.
O texto atual do projeto permite recompensas apenas quando as stablecoins são utilizadas em operações como staking, garantia ou liquidação de transações, mas veda rendimentos passivos.
Próximos passos no Congresso
Com o Senado entrando em recesso, uma nova votação no Comitê Bancário deve ocorrer apenas a partir de fevereiro. Analistas avaliam que o atraso favorece os bancos, uma vez que o projeto poderia servir de base para outras discussões sensíveis, como limites de juros no crédito ao consumidor.
Enquanto isso, o Comitê de Agricultura do Senado avança com um projeto paralelo voltado à regulação de criptoativos classificados como commodities, incluindo o Bitcoin. Especialistas apontam que a adoção institucional em larga escala depende de maior clareza regulatória, especialmente sobre o papel da SEC na supervisão do setor.