
A forte valorização da prata no início de 2026 levou o metal precioso a ultrapassar temporariamente a Nvidia em valor de mercado, reacendendo debates sobre ativos escassos e comparações com o comportamento recente do Bitcoin. A cotação da prata atingiu US$ 82,7 por onça durante o pregão asiático, aproximando-se de suas máximas históricas e elevando seu valor total acima de US$ 4,5 trilhões.
O movimento colocou a prata, ainda que de forma breve, como o segundo maior ativo do mundo em valor de mercado, atrás apenas do ouro, em um episódio que chamou a atenção de investidores globais.
Alta da prata é sustentada por fundamentos estruturais
Diferentemente de movimentos pontuais impulsionados por fluxo especulativo, a valorização da prata tem sido sustentada por fatores estruturais. O metal combina demanda como reserva de valor com uso intensivo em aplicações industriais, incluindo eletrônicos, painéis solares, hardware de inteligência artificial e veículos elétricos.
Dados do setor indicam que cerca de metade da demanda global de prata vem da indústria, o que diferencia o metal de outros ativos tradicionalmente defensivos.
Déficit de oferta reforça pressão sobre preços
O mercado global de prata enfrenta um déficit recorrente entre oferta e demanda. Em 2025, o consumo anual foi estimado em aproximadamente 1,2 bilhão de onças, enquanto a produção somada à reciclagem ficou próxima de 1 bilhão de onças, marcando o quinto ano consecutivo de desequilíbrio.
Esse déficit estrutural tem sido apontado como um dos principais fatores por trás da alta dos preços e sustenta projeções mais elevadas para 2026, caso não haja resposta significativa da oferta.
Comparações com Bitcoin ganham força
A escalada da prata reacendeu paralelos com o Bitcoin, ativo que também combina escassez estrutural com períodos prolongados de acumulação antes de movimentos expressivos de valorização. Analistas observam que, assim como ocorreu com o Bitcoin em ciclos anteriores, a prata passou anos em consolidação antes de romper níveis históricos.
O Bitcoin, por sua vez, segue sendo acompanhado como um ativo de oferta limitada, cuja dinâmica de preço tende a reagir a mudanças no ambiente macroeconômico, liquidez global e expectativas em torno de política monetária. A leitura de parte do mercado é que movimentos fortes em metais preciosos costumam anteceder ou acompanhar reprecificações em ativos alternativos, incluindo o Bitcoin.
Volatilidade e limites entram no radar
Apesar do rali, analistas alertam para o risco de destruição de demanda caso os preços da prata avancem de forma excessiva. Valores muito elevados podem comprometer a viabilidade econômica de algumas aplicações industriais, especialmente no setor de energia solar, o que funcionaria como um freio natural para a alta.
No caso do Bitcoin, a volatilidade segue sendo uma característica estrutural, mas investidores monitoram se a consolidação atual pode abrir espaço para movimentos mais amplos, especialmente em um ambiente de maior busca por ativos escassos e proteção contra riscos macroeconômicos.
Ativos escassos ganham protagonismo em 2026
O desempenho da prata e o interesse contínuo pelo Bitcoin reforçam uma tendência observada no início de 2026: maior atenção a ativos com oferta limitada em um cenário marcado por déficits fiscais elevados, incertezas geopolíticas e questionamentos sobre a sustentabilidade de políticas monetárias no médio prazo.
Embora cada ativo responda a dinâmicas próprias, o movimento recente sugere que o mercado volta a precificar, de forma mais explícita, o valor da escassez em diferentes classes de investimento.