
O anúncio do presidente Donald Trump sobre um acordo de paz entre Estados Unidos e Irã, a ser assinado em 19 de junho, provocou uma forte reação nos mercados globais. O Bitcoin (BTC) subiu 2,7% nas últimas 24 horas, atingindo brevemente US$ 66.106, com a maior parte do ganho ocorrendo no domingo logo após a declaração. O petróleo bruto caiu 5%, para cerca de US$ 80 o barril, reduzindo em 33% desde a máxima de março de US$ 120. Os mercados de ações também avançaram, com o ETF Invesco QQQ (Nasdaq 100) ganhando 2% no pré-mercado.
Impacto imediato nos mercados de criptoativos
Além do Bitcoin, metais preciosos como o ouro registraram alta de quase 3% em 24 horas, negociado acima de US$ 4.330 por onça. O movimento de risk-on beneficiou ativos digitais e commodities, enquanto o petróleo despencava. A reabertura do Estreito de Ormuz e o fim do bloqueio naval dos EUA são os principais gatilhos, sinalizando alívio nas tensões geopolíticas que vinham pressionando o mercado de energia desde o início do ano.
Para o mercado cripto, a correlação com ativos de risco tradicionais se fortaleceu. A capitalização total do setor avançou, com volumes de negociação em exchanges centralizadas crescendo 15% nas últimas 24 horas, segundo dados da CoinGecko. Baleias (endereços com mais de 1.000 BTC) aumentaram suas posições em 0,8%, refletindo otimismo institucional.
Petróleo em queda livre e o efeito no sentimento de risco
A queda de 5% no preço do petróleo é a maior em um único dia desde novembro de 2025, quando a OPEP+ anunciou cortes inesperados. Agora, com o barril a US$ 80, as expectativas de inflação global diminuem, reduzindo a pressão sobre bancos centrais. O Federal Reserve (Fed) realiza sua reunião de 17 de junho, com 97% de probabilidade de manter a taxa de juros no intervalo de 3,50% a 3,75%.
Com a desaceleração dos preços do petróleo, os mercados deixaram de precificar qualquer alta de juros em 2026, e o primeiro aumento de 25 pontos-base foi adiado para janeiro de 2027. Isso representa uma reviravolta em relação ao início do mês, quando a persistência inflacionária ainda preocupava. A trégua no Oriente Médio, porém, permanece frágil — o cessar-fogo de 60 dias pode ser rompido, como já ocorreu em negociações anteriores.
Perspectivas para o Fed e volatilidade no horizonte
O presidente do Fed, Kevin Warsh, presidirá sua primeira reunião do FOMC em 17 de junho. Embora o mercado esteja confiante na manutenção dos juros, qualquer sinal de incerteza sobre o acordo EUA-Irã pode reverter o otimismo. A diretriz do comitê deve destacar a vigilância contra riscos geopolíticos, especialmente se o cessar-fogo não avançar para um tratado definitivo.
Analistas da CoinDesk recomendam cautela: a trajetória de alta do Bitcoin depende da sustentabilidade da paz e da política monetária. Caso o Fed indique tolerância a juros mais baixos por mais tempo, o BTC pode testar resistências em US$ 68.000. Por outro lado, um fracasso nas negociações pode levar o petróleo de volta a US$ 100 e desencadear uma correção abrupta nos ativos de risco, incluindo criptomoedas.





