
O BTG Pactual ajustou sua carteira recomendada de ações para setembro e mantém um portfólio com dez papéis, em um cenário no qual os juros de longo prazo e o mercado acionário já precificam parte relevante do risco fiscal, enquanto o câmbio ainda não reflete essa deterioração. A leitura da equipe de análise é que a alocação equilibra ativos de long duration com proteção cambial e exposição a petróleo.
Segundo o banco, a estratégia busca capturar retornos tanto em um cenário de concretização do ajuste fiscal quanto em um ambiente de continuidade da deterioração das contas públicas. “Se o ajuste fiscal se concretizar, os juros de longo prazo devem cair e as ações de fluxo de caixa de long duration devem performar bem. Por outro lado, se a situação fiscal continuar se deteriorando, o real deve se enfraquecer ainda mais”, pondera a instituição.
Entradas e saídas na carteira
Para setembro, a Sabesp (SBSP3) foi incluída no lugar da Copasa (CSMG3). Os analistas enxergam relação risco-retorno mais atrativa na companhia paulista, que negocia a uma TIR (taxa interna de retorno) real de 10,5%. A outra mudança foi a troca da Totvs (TOTS3) pela Rede D’Or (RDOR3), classificada como uma ação de alta qualidade, com fluxo de caixa de long duration e nível de alavancagem moderado.
A seleção completa é formada por Petrobras (PETR4), Itaú Unibanco (ITUB4), Axia Energia (AXIA3), Sabesp (SBSP3), Rede D’Or (RDOR3), Embraer (EMBJ3), Eneva (ENEV3), Gerdau (GGBR4), Motiva (MOTV3) e Cury (CURY3).
Composição e cenários
A carteira está dividida em 50% para serviços básicos/infraestrutura e ações de fluxo de caixa de long duration, 10% para o setor financeiro, 20% em teses de câmbio combinadas a petróleo, câmbio e dividendos, e 5% em dividendos e construtoras de baixa renda.
Em um cenário de melhora das contas fiscais e juros de longo prazo mais baixos, a parcela exposta a serviços básicos/infraestrutura, financeiro e construtoras, que soma 65% do portfólio, deve performar bem. Caso o ambiente piore, as posições de câmbio somadas à Petrobras, que representam 35% da carteira, funcionariam como proteção.
Upside potencial por ação
O banco também divulgou o potencial de valorização para cada papel. A Rede D’Or lidera com upside de 65%, seguida pela Embraer, com 41%, e Itaú Unibanco, com 37%. A Cury aparece com 35%, Motiva com 29%, Axia com 26%, Sabesp com 23%, Eneva e Gerdau com 18% cada, e Petrobras com 14%. Os pesos na carteira são de 15% para Petrobras e 10% para os demais ativos, com exceção da Cury, que representa 5% do portfólio.





