O Bradesco (BBDC4) entregou ao mercado um balanço que reforça a tese de inflexão operacional: o lucro líquido recorrente somou R$ 7,05 bilhões no segundo trimestre de 2026, uma alta de 16,2% frente ao mesmo intervalo de 2025. O número veio acima das projeções reunidas pela LSEG, que apontavam R$ 6,95 bilhões, e consolida o banco como uma das principais surpresas positivas da safra de resultados do setor financeiro.

Para além do lucro, o desempenho foi sustentado por um ROAE de 16,2%, nível que sinaliza recuperação consistente da rentabilidade sobre o patrimônio líquido. A expansão anual de dois dígitos acontece em um cenário de margens pressionadas, o que amplifica a leitura de que o banco está conseguindo extrair ganhos de eficiência e melhor composição de carteira.

Destaques do balanço: provisões, carteira e inadimplência

A PDD expandida, que corresponde às provisões para devedores duvidosos e outras despesas de risco, ficou em R$ 10,0 bilhões no trimestre, um patamar que denota cautela diante do ciclo de crédito. A carteira de crédito expandida avançou para R$ 1,14 trilhão, demonstrando apetite seletivo do banco em um momento em que as linhas com garantia ganham relevância no mix.

O índice de inadimplência acima de 90 dias permaneceu em 4,3%, estabilidade que ajuda a explicar a confiança do mercado na manutenção do nível de provisões. A combinação entre crescimento moderado da carteira e controle do calote sugere que a gestão de risco do banco está conseguindo dosar originação e qualidade.

Leitura dos analistas: do pessimismo ao protagonismo

Na avaliação de casas como XP e Itaú BBA, o Bradesco despontava como o principal nome a observar entre os grandes bancos na temporada, depois de trimestres de ajustes. A XP trabalhava com projeção de lucro de R$ 7,0 bilhões, avanço de 15% na base anual e 2% na comparação trimestral, indicando que o ritmo de recuperação ganhava tração.

Analistas da XP ressaltavam que o banco deveria ser o destaque positivo do período, amparado por forte momento de receitas, expansão saudável em linhas de crédito com garantia e estabilidade da qualidade dos ativos. Essa leitura, agora validada pelos números oficiais, reforça a percepção de que a instituição está colhendo frutos da reestruturação interna e do reposicionamento comercial.

O que o resultado sinaliza para os próximos trimestres

A superação do consenso por R$ 100 milhões, embora modesta, tem peso simbólico relevante: joga luz sobre a capacidade do Bradesco de entregar resultados acima das expectativas em um ambiente de juros ainda restritivo. O mercado passa a precificar a possibilidade de revisão das projeções para o fechamento de 2026, especialmente se a inadimplência seguir sob controle.

Com o indicador de eficiência e o ROAE se aproximando das metas de médio prazo, a discussão sobre distribuição de proventos tende a ganhar força entre os investidores. A continuidade da trajetória de queda da inadimplência e a manutenção do ritmo de originação serão os pontos a monitorar nas próximas temporadas, em um ambiente que segue exigindo seletividade para alocação em investimentos de renda variável.