
Os principais índices de ações dos Estados Unidos encerraram o pregão em queda nesta quarta-feira (7), pressionados por perdas no setor financeiro, recuo dos preços do petróleo e novos sinais de desaceleração da economia americana. O movimento interrompeu uma sequência recente de ganhos e elevou a cautela dos investidores globais.
O Dow Jones Industrial Average caiu cerca de 1%, enquanto o S&P 500 recuou 0,33%. O Nasdaq Composite destoou parcialmente, sustentado por ações de tecnologia, e avançou 0,15%, apoiado principalmente pelos papéis da Alphabet.
Bancos e construtoras lideram as perdas
As ações dos grandes bancos figuraram entre os piores desempenhos do dia. JPMorgan Chase e Goldman Sachs recuaram mais de 2%, impactando diretamente o Dow Jones. O movimento refletiu a queda dos rendimentos dos títulos públicos e a leitura de um ambiente econômico mais fraco à frente.
O setor imobiliário também foi pressionado após o presidente Donald Trump afirmar que pretende proibir grandes investidores institucionais de comprarem casas unifamiliares, como forma de ampliar a oferta e reduzir os preços da moradia nos Estados Unidos. O comentário derrubou ações de empresas ligadas ao aluguel residencial e construtoras.
“Pessoas vivem em casas, não corporações”, escreveu Trump em publicação nas redes sociais, ao afirmar que pedirá ao Congresso que transforme a proposta em lei.
Petróleo recua com promessa de oferta adicional
Os contratos futuros de petróleo encerraram o dia em queda após Trump afirmar que a Venezuela poderá fornecer até 50 milhões de barris de petróleo aos Estados Unidos. Segundo o presidente, uma reunião com executivos do setor de energia está prevista para discutir investimentos no país sul-americano.
A expectativa de aumento da oferta pressionou as cotações da commodity e afetou ações de empresas ligadas ao setor de energia.

Dados fracos reforçam apostas em corte de juros
No mercado de renda fixa, os rendimentos dos títulos públicos recuaram após dados econômicos abaixo do esperado. Segundo a ADP, o setor privado dos EUA criou apenas 41 mil vagas em dezembro, número considerado fraco pelo mercado.
O rendimento do Treasury de 10 anos fechou em torno de 4,14%, refletindo o aumento das apostas de que o Federal Reserve poderá iniciar cortes de juros ao longo de 2026, caso a desaceleração econômica se confirme.
Movimento semelhante foi observado nos mercados globais. Os juros dos títulos da Alemanha e do Reino Unido também caíram, acompanhando a leitura de inflação mais comportada e atividade econômica enfraquecida na Europa.
Metais e ações globais também recuam
Após uma forte alta recente, os preços dos metais preciosos e industriais corrigiram. Os contratos futuros de prata caíram mais de 4%, pressionando ações de mineradoras ao redor do mundo. Ouro e cobre também recuaram.
Na Ásia e na Europa, as bolsas encerraram o dia sem direção única, refletindo a combinação de expectativas de estímulos monetários com o aumento das incertezas políticas e geopolíticas.
Tecnologia sustenta Nasdaq
Apesar do cenário negativo, ações de tecnologia limitaram perdas mais amplas. Os papéis da Alphabet avançaram novamente e colocaram a empresa próxima de ultrapassar a Apple em valor de mercado, aproximando-se da marca de US$ 3,9 trilhões, segundo dados de mercado.
O desempenho do setor ajudou o Nasdaq a fechar em alta, contrariando o tom mais cauteloso observado nos demais índices.