
O Bitcoin registrou alta de 5% durante o pregão americano e voltou a ultrapassar a marca de US$ 80 mil, alcançando cerca de US$ 81.000. O movimento ocorreu em um dia de enfraquecimento generalizado do dólar, com o índice DXY caindo para 99 após a suspeita de intervenção do Banco do Japão (BoJ) no mercado cambial para sustentar o iene.
A moeda japonesa chegou a 155,4 por dólar, depois de ter tocado 158,5 na quarta-feira. Na prática, o par USD/JPY acumulou queda de quase 2,5% em 24 horas, o que levou analistas a apontarem a atuação do banco central japonês como a causa mais provável. O Bitcoin já opera perto das máximas observadas na alta surpreendente do mês passado, reforçando a leitura de que o câmbio segue sendo um vetor relevante para os criptoativos.
Dólar fraco e aposta em alta de juros no Japão
A queda do DXY é historicamente associada a cenários construtivos para o Bitcoin, uma vez que reduz a atratividade do dólar e estimula a busca por ativos com maior risco. A novidade agora é que o movimento cambial ocorre em paralelo à expectativa crescente de aperto monetário no Japão. Os preços de mercado passaram a embutir 98% de chance de uma alta de 25 pontos-base na reunião do BoJ em 18 de setembro. Na Polymarket, as probabilidades de manutenção da taxa atual despencaram de 12% para 1%.
O receio de uma nova reversão do carry trade, estratégia que financiou boa parte dos investimentos em ativos de risco nos últimos anos, voltou a rondar o mercado. A combinação entre iene mais forte e juros mais altos no Japão pode forçar desmontagens de posições alavancadas, o que tende a elevar a volatilidade. Por outro lado, parte do mercado enxerga na intervenção cambial um possível alívio de liquidez global.
Ações da Strategy acompanham o Bitcoin
O movimento de alta também alcançou as ações ligadas ao ecossistema cripto. A Strategy (MSTR), empresa de Michael Saylor, subiu 8,6% na quarta-feira. O papel está cerca de 70% acima das mínimas registradas no fim de junho, embora ainda acumule perda de aproximadamente 10% no ano. As ações preferenciais perpétuas STRC, frequentemente comparadas a um fundo do mercado monetário, seguem abaixo do valor nominal de US$ 100, negociadas a US$ 97,80.
Analistas divididos sobre o impacto da intervenção
A suspeita de atuação do BoJ reacendeu o debate sobre as consequências para os mercados. Em comentário publicado no X, o perfil The Macro Paper afirmou que um movimento de quase 2,5% do USD/JPY em 24 horas dificilmente ocorre sem uma grande intervenção. O mesmo diagnóstico indica alta de juros ainda em setembro, com possibilidade de novos aumentos no quarto trimestre, em um cenário semelhante ao do terceiro trimestre de 2024.
Nem todos os agentes do mercado, no entanto, leem o episódio como negativo para os criptoativos. Arthur Hayes, diretor de investimentos da Maelstrom, sustenta que a linha de recompra (repo) do FIMA pode fornecer liquidez em dólares ao Japão usando títulos do Tesouro como garantia, o que aliviaria as condições de liquidez globais. Até o momento, não há confirmação de que recursos tenham sido retirados dessa linha, mas o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, já havia mencionado essa possibilidade no fim de julho.
Cenário segue dependente do câmbio
Com a decisão do BoJ marcada para 18 de setembro, o mercado cripto deve continuar sensível aos desdobramentos do câmbio e da política monetária japonesa. A retomada dos US$ 80 mil reforça o tom positivo de curto prazo, mas a sustentabilidade do movimento dependerá da capacidade de o Bitcoin manter o patamar em um ambiente de possível redução de liquidez. O comportamento do iene e do DXY seguirá como termômetro para os investidores.





