Ilustração de Bitcoin e Ethereum em chamas simboliza a queda das criptomoedas com a aversão ao risco global.
Reprodução: ChatGPT

O mercado de criptomoedas iniciou a semana sob forte pressão, refletindo o aumento da aversão ao risco nos mercados globais. O Bitcoin voltou a perder força, aprofundando o movimento de correção observado nos últimos dias, e arrastou consigo as principais altcoins, em um cenário marcado por cautela, volatilidade e expectativa por dados econômicos relevantes nos Estados Unidos.

Segundo dados da Binance, por volta das 16h40 (horário de Brasília), o Bitcoin era negociado a US$ 86.244, com queda diária de aproximadamente 2,7%. O Ethereum acompanhava o movimento negativo, recuando cerca de 4,7%, enquanto a XRP registrava baixa superior a 4%. O desempenho reforça a pressão generalizada sobre os criptoativos, após o BTC falhar em sustentar níveis acima de US$ 90 mil e o ETH renovar mínimas desde o início de dezembro.

Ambiente macroeconômico pesa sobre os criptoativos

O pano de fundo para o movimento segue sendo o cenário macroeconômico global. A fragilidade das bolsas americanas, a maior volatilidade dos Treasuries e a expectativa em torno da divulgação de indicadores como inflação, mercado de trabalho e índice de preços ao consumidor (CPI) nos EUA têm levado investidores a reduzir exposição a ativos de maior risco.

Além disso, as incertezas sobre o ritmo e a profundidade dos cortes de juros pelo Federal Reserve seguem no radar. Em momentos como este, o capital tende a migrar para ativos considerados mais seguros, penalizando mercados mais voláteis, como o de criptomoedas.

Mesmo notícias positivas no setor, como o avanço da tokenização financeira na rede Ethereum com a entrada de grandes instituições bancárias, não foram suficientes para reverter o viés negativo no curto prazo.

Bitcoin segue sensível ao noticiário macro

Para Guilherme Prado, country manager da Bitget no Brasil, o Bitcoin deve continuar reagindo fortemente às variáveis macroeconômicas ao longo da semana.

“O BTC deve seguir sensível ao noticiário macroeconômico, com a divulgação de dados relevantes nos Estados Unidos que tendem a influenciar o apetite por risco e aumentar a volatilidade do ativo. O mais provável é que a pressão vendedora persista, com o Bitcoin testando suportes mais baixos”, avalia Prado.

Do ponto de vista técnico, o analista destaca que o RSI em torno de 44 aponta para um viés levemente baixista, enquanto o MACD se aproxima de um possível cruzamento negativo. Esse conjunto de fatores abre espaço para a continuidade da correção em direção à região de US$ 85.500 — ou até US$ 80 mil, em um cenário de maior aversão ao risco.

Mercado adota postura defensiva

Diante desse contexto, investidores têm adotado uma postura mais prudente, reduzindo posições alavancadas e evitando novas entradas mais agressivas. O comportamento recente do mercado sugere uma dinâmica mais técnica, com tentativas pontuais de recuperação que não encontram sustentação, indicando uma lateralização com viés de baixa.

A expectativa é de aumento da volatilidade ao longo da semana, à medida que novos dados econômicos sejam divulgados e possam alterar as projeções para juros, liquidez e apetite por risco nos mercados globais.

Volatilidade reforça importância da estratégia de longo prazo

Em momentos de forte oscilação e incerteza, a tentação de reagir emocionalmente aos movimentos de curto prazo aumenta — e esse é um dos maiores riscos para o investidor.

Segundo Fábio Murad, CEO da SpaceMoney e criador do método Super ETF, volatilidade não deve ser confundida com perda estrutural de valor:

“Mercados voláteis expõem quem opera no curto prazo sem método. Já o investidor que entende ciclos, diversificação e geração de renda recorrente consegue transformar volatilidade em oportunidade”, afirma Murad.

Essa visão dialoga diretamente com os princípios defendidos por John Bogle, fundador da Vanguard e autor de O Investidor de Bom Senso. Para Bogle, tentar prever movimentos de curto prazo é um jogo de soma zero, enquanto a disciplina, os custos baixos e o foco no longo prazo são os verdadeiros motores da construção de patrimônio.

Criptomoedas seguem como ativos de risco

O movimento atual reforça que, apesar da crescente institucionalização do setor, as criptomoedas ainda se comportam como ativos de risco, altamente sensíveis a mudanças no cenário macroeconômico global.

Para o investidor, o momento exige cautela, gestão de risco e clareza de estratégia. Em vez de decisões impulsivas, o foco deve estar em alocação adequada, diversificação e, sobretudo, alinhamento entre objetivos e horizonte de investimento.