Programas de recompra de ações movimentaram US$ 572 bilhões em todo o mundo entre abril e junho de 2026, alta de 26,8% sobre o mesmo intervalo do ano anterior, segundo o Índice Global de Dividendos e Recompras da gestora Janus Henderson, publicado na terça-feira (15) e acompanhado pelo InfoMoney. O trimestre marcou uma troca na liderança: a Salesforce assumiu o topo do ranking e interrompeu a sequência de quatro trimestres consecutivos da Apple na primeira colocação.

O avanço foi sustentado pelo desempenho mais forte de companhias de tecnologia e do setor financeiro. As empresas de tecnologia desembolsaram US$ 121,1 bilhões no período, superando os US$ 104 bilhões dos financeiros e assumindo o posto de principal origem dessas operações. Toyota e Nvidia completaram as quatro primeiras posições, e sete das dez maiores recompradoras do planeta pertencem aos dois setores.

Salesforce assume a ponta e tecnologia ganha espaço

As 20 maiores recompradoras do mundo concentraram US$ 176 bilhões, o equivalente a 30,8% do total estimado no trimestre. Além de Salesforce, Apple, Toyota e Nvidia, a lista reúne Citigroup, JPMorgan, Bank of America, Samsung Electronics, ExxonMobil, Caterpillar, Mastercard, Visa, Netflix, Goldman Sachs, Microsoft, Toronto-Dominion Bank, Toyota Tsusho, Booking Holdings, Royal Bank of Canada e Walt Disney. Gigantes como Samsung, Citigroup e Goldman Sachs voltaram ao grupo de elite ou escalaram posições frente ao segundo trimestre de 2025.

Jane Shoemake, líder de CPM de Ações para a região EMEA na Janus Henderson, observa que as maiores companhias de tecnologia destinam volumes sem precedentes à infraestrutura de inteligência artificial, como data centers e poder de processamento, sem abrir mão de programas robustos de recompra. Com o caixa líquido em queda, parte dessas empresas já recorre ao mercado de dívida, combinação que, na avaliação dela, cria uma tensão de médio prazo caso o ritmo de aporte siga elevado. A executiva afirma que, diante de necessidades crescentes de capital, as recompras costumam ser o primeiro item a ser reduzido, à frente dos dividendos regulares.

EUA dominam e projeção aponta novo avanço em 2026

A distribuição geográfica segue concentrada: os Estados Unidos responderam por US$ 302,1 bilhões, seguidos pelo Japão, com US$ 36,3 bilhões, cerca do triplo do restante da região Ásia-Pacífico. O Canadá apareceu com US$ 19,7 bilhões, enquanto a Europa sem o Reino Unido registrou US$ 19,6 bilhões, com a Alemanha na dianteira. Na América Latina, o Brasil liderou, com US$ 1,1 bilhão. A gestora ressalta que US$ 136,9 bilhões do total apurado entre as 1.500 companhias do índice correspondem a uma estimativa ainda não distribuída entre setores e países, o que a levou a não divulgar taxas de crescimento regionais ou setoriais.

Os dividendos globais somaram US$ 757,8 bilhões no trimestre, com a Saudi Aramco na liderança e a Nvidia entre as dez maiores pagadoras. Para o conjunto de 2026, a Janus Henderson projeta expansão de 7% a 8% nas recompras e de 5% a 6% nos proventos. As recompras vêm se firmando como uma das principais vias de retorno de capital aos acionistas, ao lado dos dividendos, tema central para o mercado de investimentos.