Raízen corta prejuízo em 11% e Ebitda dobra na safra

A Raízen (RAIZ4) encerrou o trimestre inicial do ano-safra 2026/27, período de abril a junho, com prejuízo líquido de R$ 1,64 bilhão, montante 11% inferior ao apurado no mesmo intervalo do ciclo anterior. O resultado foi sustentado pela expansão operacional, com receita líquida de R$ 51,46 bilhões — alta anual de 4% — e Ebitda ajustado de R$ 3,85 bilhões, mais que o dobro do registrado um ano antes.

Apesar da melhora na operação, a companhia, que atravessa recuperação extrajudicial, continua vendo o resultado final ser consumido pelo desempenho financeiro. A linha de resultado financeiro ficou negativa em R$ 2,97 bilhões, aumento de 42,4% sobre igual intervalo de 2025, o que explica a permanência do vermelho no balanço mesmo com o forte avanço do Ebitda.

Receita e Ebitda mostram força, mas custo financeiro limita avanço

A receita líquida de R$ 51,46 bilhões representa um crescimento de 4% na comparação anual, indicando que a companhia conseguiu monetizar melhor sua estrutura de distribuição e produção no início do novo ciclo. O Ebitda ajustado, por sua vez, saltou para R$ 3,85 bilhões, um desempenho que evidencia a recuperação da rentabilidade operacional da companhia no período de entressafra.

Do lado dos investimentos, porém, o ritmo foi de desaceleração. Os desembolsos totalizaram R$ 1,05 bilhão entre abril e junho, queda de 32,6% frente ao mesmo período de 2025, sinalizando cautela da administração em um momento de reestruturação financeira e priorização de caixa.

Distribuição de combustíveis impulsiona resultado com alta de volumes

O desempenho operacional da Raízen no trimestre foi fortemente influenciado pela divisão de distribuição de combustíveis no Brasil. O volume vendido somou 7,18 bilhões de litros, crescimento de 6,6% na base anual, com avanço disseminado entre os principais produtos.

Os combustíveis do ciclo Otto, que englobam gasolina e etanol, totalizaram 3,11 bilhões de litros, alta de 8%, enquanto as vendas de diesel alcançaram 3,65 bilhões de litros, incremento de 6,5%. Na comparação com o trimestre imediatamente anterior, as vendas totais cresceram 2,5%, indicando ganho sequencial de tração.

O impacto no resultado da unidade foi expressivo. O Ebitda ajustado da distribuição de combustíveis saltou de R$ 959 milhões para R$ 3,54 bilhões na comparação anual, reforçando o peso dessa frente de negócios na geração de caixa da companhia.

Moagem recua com chuvas e mix industrial migra para etanol

No segmento sucroenergético, a Raízen processou 19,7 milhões de toneladas de cana-de-açúcar no trimestre, volume 2% inferior às 20,1 milhões de toneladas moídas no mesmo período da safra anterior. A produtividade agrícola caiu 3,2%, para 9 toneladas de ATR por hectare, e o teor de açúcares recuperáveis (ATR) recuou 2,9%, ficando em 118,4 kg por tonelada.

A companhia atribuiu parte do desempenho ao impacto das chuvas associadas ao El Niño, que afetaram a colheita e a qualidade da matéria-prima no início do ciclo. Com menor disponibilidade de ATR e preços relativos mais favoráveis ao etanol, a Raízen direcionou maior volume de cana para a produção do biocombustível.

Produção de açúcar cai e etanol de primeira geração avança

O mix industrial passou de 51% para 46% em açúcar, enquanto a parcela destinada ao etanol subiu de 49% para 54%. Como consequência, a produção de açúcar totalizou 1,03 milhão de toneladas, retração de 13,6% na comparação com o primeiro trimestre do ciclo anterior.

Já a produção de etanol de primeira geração avançou 9,4%, para 737 milhões de litros, beneficiada justamente pela mudança no direcionamento da matéria-prima. O etanol de segunda geração (E2G) manteve-se estável, com 22,8 milhões de litros produzidos no período, mantendo a companhia na trajetória de expansão dessa tecnologia.

O balanço reforça o momento delicado da Raízen no campo financeiro, ainda que a operação mostre sinais de recuperação. Para investidores que acompanham o noticiário de investimentos, o trimestre evidencia o desafio de transformar eficiência operacional em resultado líquido positivo em meio ao custo da dívida e à reestruturação em curso.