As maiores companhias brasileiras distribuíram US$ 4,4 bilhões em dividendos no segundo trimestre de 2026, avanço de 12,8% em relação ao mesmo período do ano anterior, segundo o Índice Global de Dividendos e Recompras da Janus Henderson. O desempenho fez do Brasil o maior pagador de proventos da América Latina no intervalo, com participação de 38% do total distribuído na região.
O movimento foi sustentado sobretudo pela JBS, que quase triplicou o valor entregue aos acionistas na comparação anual. O dividendo por ação da companhia saltou de US$ 0,35 para US$ 1, conforme dados compilados pela gestora e detalhados pelo Monitor do Mercado.
JBS puxa a lista das dez maiores pagadoras
Além da JBS, o grupo das dez ações brasileiras que mais distribuíram dividendos no período inclui Petrobras, considerando as ações ordinárias e preferenciais; Vivo; Bradesco, nas duas classes de ações; Banco do Brasil; Rede D’Or São Luiz; B3; e Sabesp. A lista é dominada por companhias de grande porte, com o setor financeiro representado por Bradesco e Banco do Brasil.
O Brasil respondeu por US$ 4,4 bilhões do total distribuído na América Latina e ficou na 26ª posição entre os 45 países acompanhados pelo índice global, empatado com a Bélgica.
América Latina cresce 1,7%, com México em queda
As empresas latino-americanas distribuíram aproximadamente US$ 11,7 bilhões em dividendos no segundo trimestre, crescimento subjacente de 1,7% sobre o mesmo período de 2025. Essa métrica desconsidera efeitos como o calendário de pagamentos e é usada pela Janus Henderson para medir a evolução real das distribuições.
O México aparece em seguida, com US$ 3,4 bilhões, mas registrou queda subjacente de aproximadamente 0,8%. O Grupo México SAB foi o principal responsável pelo resultado, após elevar o dividendo por ação de MXN 1,20 para MXN 1,65 na comparação anual.
No Chile, os pagamentos chegaram a aproximadamente US$ 1,1 bilhão, com a maior contribuição vindo do Banco Santander Chile. A Colômbia distribuiu cerca de US$ 0,3 bilhão, ante US$ 1 bilhão no ano anterior. A redução ocorreu porque o Grupo Cibest retomou uma estrutura de pagamentos trimestrais após ter adotado, em 2025, uma distribuição anual única acompanhada de um dividendo extraordinário.
Dividendos globais somam US$ 757,8 bilhões
No conjunto das 1.500 companhias analisadas pelo índice, os pagamentos globais de dividendos alcançaram US$ 757,8 bilhões no segundo trimestre. O crescimento subjacente foi de 7,3%, enquanto a alta nominal ficou em 3,2%, refletindo principalmente diferenças no calendário das distribuições.
O setor financeiro permaneceu como a principal fonte de dividendos no mundo, com US$ 239,7 bilhões distribuídos e crescimento subjacente de 8,1%. O levantamento aponta que os bancos vêm levando seus pagamentos a níveis historicamente mais próximos do padrão após anos de recuperação e utilizando cada vez mais as recompras de ações para devolver capital excedente.
No Reino Unido, o movimento foi mais intenso: as empresas integrantes do índice distribuíram US$ 39,5 bilhões em dividendos, alta de 14,6%, impulsionada pelos bancos.
Europa concentra pagamentos e vê pressão no consumo
A Europa, excluindo o Reino Unido, foi a região que mais distribuiu dividendos no segundo trimestre, com US$ 242,3 bilhões. O volume está relacionado à concentração sazonal dos pagamentos europeus nessa época do ano. O crescimento, porém, foi de 3,2%, abaixo do avanço registrado no Reino Unido, no Japão e na América do Norte.
O levantamento também aponta sinais de enfraquecimento do consumo em partes do mercado europeu, especialmente entre os fabricantes de automóveis. A demanda mais fraca se combina ao aumento da concorrência dos fabricantes chineses de veículos elétricos, criando um desafio estrutural para as montadoras europeias.
Recompras avançam 26,8% e tecnologia assume a liderança
As recompras de ações também avançaram de forma significativa. As empresas analisadas recompraram US$ 572 bilhões em ações no segundo trimestre, alta de 26,8% em relação ao ano anterior. O setor de tecnologia passou à frente do financeiro e se tornou a principal fonte de recompras no mundo, com US$ 121,1 bilhões no período.
Segundo a Janus Henderson, a rentabilidade das principais empresas de tecnologia tem permitido combinar retornos aos acionistas com a expansão dos investimentos em infraestrutura de inteligência artificial, incluindo data centers e capacidade de computação. O setor também apresentou o maior crescimento subjacente dos dividendos entre os segmentos analisados, de 23,5%, com pagamentos de US$ 70,5 bilhões.
Nas recompras, o Brasil também liderou a América Latina, com US$ 1,1 bilhão em ações adquiridas pelas empresas. O México ficou em segundo lugar, com US$ 0,4 bilhão.
Projeção aponta alta de 5% a 6% em dividendos para 2026
Para o cenário de 2026, a Janus Henderson projeta crescimento global dos dividendos entre 5% e 6%. Para as recompras de ações, a estimativa é de avanço entre 7% e 8%. As perspectivas para os dividendos continuam apoiadas pela capacidade de geração de lucros e caixa das empresas, especialmente nos setores financeiro e de tecnologia.
Os dividendos também permanecem relativamente protegidos, considerando que as companhias, de modo geral, atribuem importância à manutenção de distribuições regulares mesmo quando as condições econômicas se tornam mais desafiadoras.
Jane Shoemake, líder de CPM de Ações para a EMEA na Janus Henderson, afirma que as empresas estão mudando a maneira de administrar a devolução de capital aos acionistas, comportamento que a executiva relaciona ao setor financeiro. Segundo ela, os bancos passaram anos reconstruindo suas bases de dividendos e agora utilizam cada vez mais as recompras de ações para devolver capital excedente sem se comprometerem com pagamentos permanentemente mais altos. Shoemake avalia ainda que o mercado está se tornando muito mais seletivo, no qual lucros sólidos continuam sustentando os retornos aos acionistas, mas a origem desse crescimento depende das forças estruturais e competitivas enfrentadas por cada setor.





