
A MBRF (MBRF3) encerrou o segundo trimestre de 2026 com lucro líquido de R$ 69 milhões, uma retração de 19,6% na comparação com o mesmo intervalo do ano passado. O resultado veio acompanhado de avanço no Ebitda e na receita, o que indica que a operação segue crescendo em escala mesmo com a pressão sobre a rentabilidade final.
O Ebitda atingiu R$ 3,2 bilhões, com alta de 5,4%, e a margem Ebitda ficou em 7,9%. A receita líquida consolidada, por sua vez, somou R$ 2,481 bilhões, um crescimento de 18% na base anual. Os números reforçam a leitura de que a companhia conseguiu extrair mais eficiência das vendas, ainda que o lucro líquido tenha sofrido com o ambiente de juros elevados e a valorização cambial.
Receita e recorde de volumes
A MBRF registrou volume de vendas de 1,969 milhão de toneladas no segundo trimestre, o maior patamar já alcançado pela companhia para esse período do ano. O resultado foi impulsionado tanto pelo mercado interno quanto pela demanda externa, com destaque para a proteína bovina.
O diretor financeiro, José Ignacio Scoseria Rey, afirmou que o desempenho demonstra a capacidade de entregar resultados mesmo com um ambiente macroeconômico desafiador, marcado por juros elevados e valorização cambial. Na visão da administração, o recorde de volumes em um trimestre tradicionalmente sazonal reforça a solidez da estratégia comercial.
Operação BRF e demanda externa
A administração também divulgou a receita líquida de R$ 40,7 bilhões no segundo trimestre, com alta de 4,9% na comparação anual, refletindo o aumento de 2,1% no volume vendido e de 1,8% no preço médio na operação BRF. Esse desempenho, segundo a companhia, representa o momento de consumo no mercado interno e a demanda resiliente no mercado externo.
O diretor financeiro destacou o avanço das vendas no Brasil, com evolução sequencial dos volumes ao longo do trimestre. Em junho, o patamar de vendas no mercado doméstico atingiu o melhor nível de 2026. Além disso, os preços em dólar nas exportações cresceram de forma relevante, com ganhos em mercados estratégicos.
Desempenho regional: América do Norte e América do Sul
Na América do Norte, o volume de vendas subiu de 468 mil para 477 mil toneladas, uma alta de 2%, favorecida pelo maior peso médio das carcaças e pela demanda firme. Esse movimento ajudou a mitigar os efeitos da menor disponibilidade de gado na região. A receita líquida alcançou US$ 3,748 bilhões, avanço de 14,9% ante os US$ 3,263 bilhões registrados no 2T25.
Na América do Sul, o crescimento foi puxado pela expansão da capacidade produtiva, pelos ganhos de produtividade e pela forte demanda por proteína bovina nos mercados externos. A receita líquida da região somou R$ 6,389 bilhões, alta de 26,4% na base anual, enquanto o Ebitda ajustado passou a R$ 570 milhões, com expansão de 22,1%.
Perspectivas da administração para o segundo semestre
O CEO da MBRF, Miguel Gularte, afirmou que o segundo trimestre teve cada mês superando o anterior, o que gera otimismo para o restante do ano. Segundo ele, a companhia costuma apresentar desempenho ainda melhor no segundo semestre, especialmente com a proximidade de períodos comemorativos como o Natal.
A combinação de volumes recordes, crescimento de receita e evolução das vendas no mercado interno sustenta a expectativa de continuidade do ritmo positivo. O desafio, na avaliação da administração, segue sendo o ambiente macroeconômico, mas a MBRF entende que a diversificação geográfica e a força da operação BRF oferecem proteção relevante à geração de resultados.





