
As ações preferenciais da Marcopolo registraram forte desvalorização na bolsa de valores paulista nesta terça-feira (4), registrando o pior desempenho do índice Ibovespa no pregão. O forte movimento de venda por parte dos investidores ocorreu após a divulgação do balanço financeiro do segundo trimestre de 2026, divulgado no dia anterior após o fechamento do mercado. Os dados revelaram um lucro líquido de R$ 271 milhões no período, o que representa uma retratação de 15,5% em relação ao mesmo intervalo do ano anterior.
Desempenho operacional e retração das margens
O indicador de Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) acumulou um encolhimento de 15% na comparação anual, somando R$ 339 milhões no trimestre. Essa retração reduziu a margem Ebitda da fabricante de carrocerias de ônibus de 17,3% para 14,3%.
Apesar do recuo nos lucros e nas margens, a receita operacional líquida apresentou avanço de 3%, alcançando R$ 2,37 bilhões. Contudo, a margem bruta recuou de 25,7% no segundo trimestre de 2025 para 21,9% no mesmo período de 2026.
A reação do mercado foi imediata nas primeiras horas do pregão. Por volta das 11h40, as ações preferenciais recuavam 9,12%, sendo negociadas a R$ 4,88, enquanto o Ibovespa avançava 0,38%. Na mínima intradia até aquele horário, os papéis chegaram a despencar 9,31%, cotados a R$ 4,87. Esse valor representa o menor patamar de cotação registrado desde abril de 2025.
Análise de analistas e pressão nos custos
Em relatório distribuído aos clientes, a equipe de análise do Citi, liderada pelo analista André Mazini, considerou o resultado do segundo trimestre fraco. Segundo a avaliação do banco, a performance do período foi afetada negativamente por uma combinação de entregas menos favorável no mercado interno brasileiro.
Apesar de a receita da Marcopolo ter ficado 5% acima das projeções da instituição, a margem bruta de 21,9% representou a menor taxa dos últimos três anos. Essa compressão de margem contribuiu diretamente para que o Ebitda ficasse 17% abaixo da estimativa do Citi.
Comparação desafiadora no segmento de ônibus rodoviários
Os analistas do Citi destacaram também a elevada base de comparação em relação ao segundo trimestre de 2025. No ano passado, a Marcopolo produziu 1.348 ônibus rodoviários de alta margem, somando as operações do Brasil e do exterior, o que correspondia a 34% de toda a sua produção do período.
Em contrapartida, no trimestre encerrado em junho de 2026, esse volume recuou para apenas 900 unidades, caindo para 22% do total produzido. A perda de relevância dos veículos rodoviários no volume fabricado, somada à elevação dos custos de matérias-primas, pressionou diretamente a rentabilidade do negócio doméstico.
Desempenho internacional e projeções para o ano
No mercado internacional, a valorização da moeda brasileira prejudicou os resultados consolidados em reais. Além disso, a fabricante enfrentou um desempenho operacional mais fraco nas subsidiárias localizadas na Argentina e no México. Por outro lado, a operação na Austrália continuou a apresentar resultados acima da média, mantendo-se como o motor de crescimento do grupo.
O Citi manteve a perspectiva de que pode ocorrer uma melhora sequencial nos números da Marcopolo ao longo do terceiro trimestre de 2026. Entretanto, a instituição financeira ressaltou que o ímpeto de recuperação dos resultados no curto prazo continua sob pressão





