JHSF mira EBITDA de R$ 2 bi em três anos

A JHSF encerrou o segundo trimestre de 2026 com uma sequência inédita de recordes operacionais e financeiros, mas a gestão da companhia preferiu olhar para frente: a meta agora é elevar o EBITDA de aproximadamente R$ 730 milhões, medido nos últimos doze meses, para algo acima de R$ 2 bilhões em um horizonte de três anos — um crescimento de 2,7 vezes. O CEO da empresa, Augusto Martins, afirmou que essa expansão será puxada pela maturação de projetos e aquisições já realizadas em todas as cinco verticais de negócio, com entregas concentradas entre 2026 e 2027 e complementos em 2028.

Meta de R$ 2 bilhões em EBITDA depende de entregas nas cinco verticais

Segundo o executivo, o plano de crescimento não depende de novas aquisições ou de mudança de estratégia, mas sim da conclusão e do ramp up de empreendimentos que já estão em obras ou foram comprados recentemente. No setor de shoppings, a companhia contabiliza a inauguração do CJ Village Boa Vista, ocorrida em maio, a expansão do Cidade Jardim e a construção do CJ Faria Lima. Esses ativos devem começar a contribuir de forma mais relevante para o resultado consolidado nos próximos anos.

Na área de hospitalidade e gastronomia, a JHSF relaciona dez novos hotéis já entregues ou em construção, além de doze restaurantes que serão abertos. Na vertical de aeroportos, a companhia listou oito novos hangares no Catarina, a expansão da área do pátio e a recente aquisição de um terminal em Miami, cujo impacto positivo deve aparecer a partir do terceiro trimestre. Já no segmento de residências para aluguel e clubes, a empresa projeta a entrada em operação de 56 imóveis em fase final de obras, enquanto outras 76 unidades seguem em desenvolvimento.

Trimestre recorde com receita de R$ 985 milhões e lucro de R$ 444 milhões

O balanço do segundo trimestre trouxe números que renovaram o melhor desempenho histórico da JHSF para o período. A receita bruta somou R$ 985 milhões, com alta de 81% na comparação anual, enquanto o EBITDA ajustado atingiu R$ 503 milhões, o dobro do registrado no mesmo intervalo de 2025. O lucro líquido totalizou R$ 444 milhões, uma elevação de 85%, consolidando um trimestre que a diretoria classificou como recorde em todas as linhas.

Mesmo desconsiderando os efeitos de incorporação e vendas pontuais, os negócios de renda recorrente também avançaram. A receita desse segmento somou R$ 439 milhões, com crescimento de 30%, e o EBITDA chegou a R$ 197 milhões, alta de 31%. Segundo a companhia, todas as unidades de renda recorrente cresceram de forma relevante, com destaque para os shoppings, que conseguiram superar o desempenho médio do mercado mesmo diante do efeito do calendário provocado pela Copa do Mundo.

Shoppings puxam o desempenho com alta real de 6% no same store rent

Na vertical de shoppings, o same store rent cresceu 11% no trimestre, o que representa alta real de 6% após o desconto da inflação. A receita bruta do segmento avançou 10%, para R$ 107 milhões, e o EBITDA subiu 7%, chegando a R$ 57 milhões. A JHSF também destacou a abertura da maior loja da Dior na América Latina no Cidade Jardim, empreendimento que atingiu 100% de ocupação.

O desempenho reforça a tese de que o portfólio de shoppings de alto padrão segue com demanda aquecida, mesmo em um cenário de juros elevados. A gestão avaliou que, enquanto alguns concorrentes sofreram retração por conta do calendário e do evento esportivo, a JHSF conseguiu sustentar crescimento relevante nos principais indicadores operacionais.

Hospitalidade, aeroportos e residências renovam recordes

Na hotelaria, a diária média subiu 6%, a ocupação ficou em 49% e o RevPar — receita por quarto disponível — avançou 7%, para R$ 2.133. O EBITDA da vertical cresceu 17%, para R$ 27 milhões, refletindo o amadurecimento das unidades recém-abertas e a demanda consistente do público de luxo.

O aeroporto foi um dos destaques absolutos do trimestre. O EBITDA saltou de R$ 45 milhões para R$ 57 milhões, uma alta de 26%, enquanto a receita cresceu 54%, para R$ 107 milhões. No segmento de residências e clubes, o EBITDA aumentou 75%, para R$ 52 milhões, com a receita praticamente dobrando para R$ 79 milhões. A companhia mantém 72 unidades em operação, todas com ocupação de 100%, e os clubes, incluindo o Fasano Tennis Club, seguem em ritmo acelerado de ramp up.

Caixa de R$ 1,2 bilhão e captações na JHSF Capital sustentam a expansão

A JHSF afirmou que sua estrutura de capital está sólida o suficiente para bancar o plano de crescimento sem sobressaltos. Ao final do segundo trimestre, a posição de caixa líquido era de R$ 1,2 bilhão, calculada sobre uma dívida bruta de R$ 6,2 bilhões, um caixa de R$ 4,4 bilhões e um contas a receber de R$ 3 bilhões. O caixa atual cobre os vencimentos pelos próximos sete anos, segundo a companhia.

Para melhorar ainda mais o perfil da dívida, a JHSF está concluindo uma emissão de CRI de até R$ 1 bilhão, que deve alongar a duration e reduzir o custo médio. Na gestora JHSF Capital, a meta é elevar o patrimônio sob gestão dos atuais R$ 12 bilhões para cerca de R$ 20 bilhões, ampliando a captação com investidores institucionais e de alta renda. A combinação de caixa robusto, projetos em fase de maturação e demanda aquecida nas cinco verticais é o que sustenta a projeção de quase triplicar o EBITDA até 2028.