Itaú (ITUB4) substitui Nubank na carteira do BTG
Itaú (ITUB4) substitui Nubank na carteira do BTG

O BTG Pactual retirou o Nubank (ROXO34) da sua carteira 10SIM e colocou o Itaú (ITUB4) no lugar para junho de 2026. A troca, com peso de 15% no portfólio, reflete uma virada de estratégia do banco diante de um ambiente macroeconômico mais hostil e de um mercado de crédito em compressão.

O contexto que motivou a troca

Desde meados de abril, cerca de R$ 27 bilhões em recursos estrangeiros deixaram o Brasil. O movimento foi acelerado pela valorização global de ações de tecnologia em maio, que atraiu capital para fora do mercado doméstico. Ao mesmo tempo, a inflação segue acima da meta e limita a margem do Banco Central para cortes mais expressivos na Selic. Esse cenário tornou o perfil defensivo do Itaú mais atraente do que o crescimento acelerado do Nubank.

Por que Itaú e não Nubank

Em maio, o Nubank era o Top Pick do setor financeiro na carteira do BTG. A mudança não foi uma punição ao papel, mas um reposicionamento tático. Os analistas do BTG entendem que, em um mercado de crédito mais difícil, o Itaú oferece proteção superior de rentabilidade. A qualidade dos ativos do banco permanece sólida. A própria contenção no crescimento da receita líquida no curto prazo é lida como um movimento deliberado de gestão de risco, não como fraqueza estrutural.

Valuation atrativo reforça a tese

Após um período de desempenho abaixo da média — que o BTG considera justificado pelo conservadorismo do balanço —, o papel ficou mais barato. O ITUB4 é negociado a 8,6 vezes o lucro projetado para 2026, múltiplo que os analistas consideram uma janela de entrada. Para o BTG, o Itaú segue como a âncora de qualidade entre os grandes bancos brasileiros e mantém o status de Top Pick no setor.

A lógica da carteira 10SIM em junho

A carteira 10SIM do BTG Pactual é revisada mensalmente e reúne dez ações listadas na B3. A inclusão do Itaú sinaliza uma preferência por papéis mais resilientes em meio à volatilidade cambial, à pressão inflacionária e à saída de capital estrangeiro. O Nubank, por sua vez, permanece como uma tese de crescimento estrutural, mas perde espaço quando o cenário exige mais proteção do que expansão. Para quem acompanha investimentos em renda variável, a composição da carteira de junho reforça a leitura de que o mercado brasileiro ainda opera em modo defensivo.