O Ibovespa opera em queda superior a 1% na sessão desta quarta-feira, 9, pressionado pela forte aversão a risco no exterior e pela renovada escalada do petróleo, com o barril do Brent negociado acima de US$ 101. Por volta das 13h02 (de Brasília), o principal índice da B3 caía 1,19%, aos 185.140,78 pontos, após atingir a mínima de 184.810,27 pontos, o que representava recuo de 1,36% no dia.

A movimentação ocorre em um dia de queda firme nas bolsas de Nova York e da Europa, com os investidores monitorando a intensificação dos ataques na região do Estreito de Ormuz. Segundo relatos do dia, houve nova ofensiva dos Estados Unidos perto da Ilha de Kharg, no Irã, e ataques dos houthis do Iêmen, aliados de Teerã, contra a Arábia Saudita, enquanto os Emirados Árabes Unidos permanecem em alerta para possíveis ataques. Diante do agravamento geopolítico, os contratos do petróleo Brent para novembro avançam mais de 3%, superando os US$ 101 o barril e reacendendo os temores inflacionários globais.

Analistas destacam contágio externo e juros americanos

Para Rebecca Nossig, analista de ações da Nomad, o Ibovespa registra trajetória de correção moderada, refletindo principalmente o contágio negativo do ambiente internacional. A analista aponta que os índices acionários em Nova York e na Europa operam em queda firme diante da renovada escalada das cotações internacionais do petróleo. Ela acrescenta que o apetite global ao risco sofreu retração expressiva, o que penaliza ativos emergentes e impulsiona as taxas dos rendimentos dos títulos do Tesouro dos EUA, os Treasuries.

Na mesma direção, Gustavo Bertotti, economista e head de renda variável da Fami Capital, afirma que o Ibovespa segue muito dependente do fluxo estrangeiro, com os temores inflacionários e geopolíticos afetando o movimento da Bolsa brasileira. O economista também ressalta que indicadores a serem divulgados amanhã e na sexta-feira podem ser decisivos para a política monetária dos Estados Unidos. Ao observar a ferramenta Fed Watch, do CME Group, Bertotti aponta que há quase 63% de probabilidade de um aumento de juros pelo Federal Reserve em setembro, ante um percentual bem menor há 20 dias.

Destaques do Ibovespa e comportamento do câmbio

No pregão brasileiro, a ponta negativa é liderada pela Tenda (TEND3), que cai 5,66%, a R$ 33,17, pressionada pela curva de juros, pela devolução da alta da véspera e pela notícia de troca de CEO no radar dos investidores. Em dia de aversão a risco, o setor bancário também pesa sobre o Ibovespa, com o Índice Financeiro (IFNC) cedendo 2%. A Vale (VALE3) recua 0,39%, a R$ 78,71, em linha com a baixa do minério de ferro na Bolsa de Dalian, na China. Já a Petrobras, beneficiada pela disparada do petróleo, ajuda a limitar as perdas do índice: PETR3 sobe 0,77%, a R$ 53,65, e PETR4 avança 0,71%, a R$ 48,43. Na ponta positiva, a CSN (CSNA3) sobe 3,47%, a R$ 6,85.

No mercado de câmbio, o dólar à vista avança 0,35%, cotado a R$ 5,1038 por volta das 13h, acompanhando o movimento global de fortalecimento da moeda americana. O índice DXY, que mede o dólar ante uma cesta de moedas, opera em alta de 0,01%, aos 98.793 pontos.

Política local segue no radar do investidor

No cenário doméstico, os agentes financeiros seguem de olho nas pesquisas eleitorais para a Presidência da República e na crise institucional no Supremo Tribunal Federal (STF). O ministro Flávio Dino determinou a reintegração de Andrei Rodrigues ao cargo de diretor-geral da Polícia Federal (PF) e de Leandro Almada da Costa ao cargo de diretor de Inteligência Policial da PF. A decisão foi proferida em processo sob sigilo, depois de os dois terem sido afastados na véspera por liminar do ministro André Mendonça.

No campo eleitoral, a nova pesquisa Meio/Ideia mostra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) empatado com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em uma eventual disputa de segundo turno, ambos com 46% das intenções de voto. Na comparação com o levantamento do mês passado, Lula oscilou 2,5 pontos percentuais para baixo, enquanto Flávio avançou 3 pontos.