O Ibovespa encerrou a quarta-feira, 9 de setembro, com retração de 0,93%, aos 185.629,04 pontos, contaminado pelo avanço do petróleo para acima de US$ 100 e pelo acúmulo de riscos no cenário externo. O índice oscilou entre 187.362,44 pontos, na máxima, e 184.810,27 pontos, na mínima. O volume negociado totalizou R$ 26,90 bilhões, reforçando o estado de cautela que prevaleceu na sessão.
Petróleo caro reacende o temor inflacionário global
A escalada das tensões entre Estados Unidos e Irã voltou a se refletir nos preços das commodities energéticas. O Brent com vencimento em outubro subiu 3,36%, a US$ 101,21, enquanto o WTI para outubro avançou 3,25%, a US$ 96,05. Os novos ataques de houthis, com apoio iraniano, contra instalações de petróleo e energia na Arábia Saudita deram origem ao movimento, elevando o risco sobre os embarques que passam pelo Mar Vermelho.
Na avaliação de Augusto Parente, fundador da AW Capital, o barril Brent rompeu o patamar de US$ 100 pela primeira vez desde julho. O especialista entende que o choque recente abre espaço para expectativas de inflação mais alta em várias economias, com impacto direto na discussão sobre os juros do Federal Reserve na reunião de setembro.
Dólar e Treasuries capturam a aversão a risco
O movimento de reprecificação do risco global levou investidores a buscar proteção no dólar e nos títulos públicos americanos. O dólar comercial avançou 0,51%, fechando a R$ 5,112, enquanto o índice DXY subiu 0,03%, aos 98,81 pontos.
Nos Estados Unidos, o Dow Jones caiu 0,77%, o S&P 500 recuou 0,48% e o Nasdaq perdeu 0,64%. No mercado de Treasuries, os rendimentos subiram ao longo de toda a curva, em um sinal de que o temor de inflação voltou a dominar a precificação dos ativos.
Fernando Bresciani, analista do Andbank, afirmou que o mercado brasileiro repetiu o padrão externo: Bolsa em queda, dólar em alta, juros futuros curtos praticamente estáveis e vencimentos mais longos avançando. Na mesma leitura, Petrobras e Vale aproveitaram o petróleo e o minério de ferro fortes e operaram em alta, enquanto os setores mais dependentes do crédito absorveram a piora do custo de capital.
CSN lidera os ganhos e construtoras pressionam o Ibovespa
A CSN (CSNA3) foi o principal destaque positivo do dia, com avanço de 5,29%, a R$ 6,97. O papel mostrou força em um ambiente favorável para commodities e voltou a atrair atenção após o BTG Pactual apontar uma oportunidade tática de compra para a companhia.
Na sequência dos ganhos, YDUQ3 subiu 2,61%, CMIN3 avançou 1,79%, TIMS3 ganhou 1,62% e EMBJ3 fechou em alta de 0,98%.
Na ponta negativa, construtoras e empresas ligadas ao consumo interno sofreram. A Tenda (TEND3) caiu 6,54%, a R$ 32,86; DIRR3 recuou 4,29%, a R$ 10,94; CSAN3 perdeu 3,84%, a R$ 3,76; CPFE3 cedeu 3,80%, a R$ 45,52; e COGN3 encerrou em baixa de 3,67%, a R$ 2,36.
STF, eleições e o horizonte do Fed seguem no radar
No plano doméstico, o noticiário político seguiu intenso. Flávio Dino, ministro do Supremo Tribunal Federal, determinou a reintegração de Andrei Rodrigues ao cargo de diretor-geral da Polícia Federal. A decisão ampliou as discussões sobre a relação entre os Poderes, um tema que segue sensível para investidores.
O calendário eleitoral também segue sob monitoramento. As pesquisas divulgadas recentemente indicaram cenário de empate técnico, o que ajudou a sustentar a B3 nas últimas semanas. Analistas ponderam, porém, que a preservação do apetite por risco depende das novas sinalizações políticas e da continuidade desse quadro nas próximas sondagens.
Com a reunião do Fed se aproximando, os próximos pregões devem continuar fortemente ligados ao comportamento dos juros americanos, ao preço do petróleo e ao desenrolar do cenário doméstico. Você pode acompanhar os impactos de mercado em macroeconomia em tempo real aqui na SpaceMoney.





