O Ibovespa encerrou o pregão desta terça-feira (15) em alta de 0,54%, aos 186.502,64 pontos, interrompendo duas quedas consecutivas, com o avanço das ações da Petrobras como principal sustentáculo. A sessão foi marcada ainda pela tensão em torno da audiência no Supremo Tribunal Federal (STF) e pela expectativa para as decisões de política monetária no Brasil e nos Estados Unidos, ambas previstas para quarta-feira.

Na máxima do dia, o índice de referência da bolsa brasileira tocou 187.650,53 pontos, enquanto na mínima recuou a 185.055,57. O volume financeiro somou R$22 bilhões, segundo dados compilados pela Estadão Conteúdo.

Petrobras comanda os ganhos na esteira do petróleo

O barril do Brent fechou com valorização de 2,9%, a US$108,75, após notícias de que os carregamentos no porto de Yanbu, na Arábia Saudita, no Mar Vermelho, foram suspensos, e de que três campos na Líbia tiveram operações interrompidas. O movimento impulsionou todo o setor de óleo e gás na B3.

PETR4 subiu 3,09% e PETR3 ganhou 3,63%. PRIO3 avançou 2,77% e BRAV3 valorizou 0,9%, enquanto RECV3, que deixou de integrar o Ibovespa, fechou estável.

Para Willian Queiroz, sócio e advisor da Blue3 Investimentos, a alta da Petrobras acompanhando a escalada do petróleo no exterior foi o principal driver do índice, ainda que o destaque da pauta tenha ficado com a sessão extraordinária do STF, tema com potencial de influenciar o preço dos ativos ao longo do cenário eleitoral.

STF no radar e incerteza política em evidência

O plenário do Supremo analisou petição relacionada a um relatório do ministro André Mendonça que aponta mensagens trocadas entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, preso sob acusação de fraudes financeiras e outros crimes. Ao fim da sessão, os ministros votavam para unificar os casos envolvendo Moraes e Mendonça e definir um novo relator.

A petição referente a Mendonça, inicialmente prevista para o dia 23, trata da alegação de Moraes de que o colega teria cometido abuso de poder e crime de responsabilidade no caso Master. A sessão foi pontuada por trocas de acusações entre os ministros.

Marcos Bassani, especialista em investimentos e sócio-fundador da Boa Brasil Capital, avaliou que o mercado opera tenso, com o julgamento adicionando incerteza política e volatilidade. Na visão dele, ter o Supremo no centro de eventuais casos de corrupção abre margem para um prêmio de risco maior, tanto para o investidor local quanto para o estrangeiro.

Fed, Copom e fluxo estrangeiro definem o tom

Economistas projetam corte da taxa Selic para 13,75% ao ano na decisão do Copom de quarta-feira, com atenção redobrada a eventuais sinalizações sobre os próximos passos da política monetária. No exterior, o S&P 500 recuou 0,45%, em sessão também marcada pelo avanço dos rendimentos dos Treasuries e por receios ligados à inteligência artificial antes da decisão do Federal Reserve.

Pesquisa CNT/MDA divulgada nesta terça mostrou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva à frente do senador Flávio Bolsonaro em eventual segundo turno, com 47,3% contra 40%, ante 48% e 39% no levantamento anterior. A margem de erro é de 2,2 pontos percentuais, e o instituto ouviu 2.002 eleitores entre 9 e 13 de setembro.

Dados da B3 apontaram a primeira sessão com saldo negativo de estrangeiros no mês, em 11 de setembro, embora setembro acumule entrada líquida de R$7,3 bilhões. Levantamento do Bank of America com gestores da América Latina mostrou que 73% veem o Ibovespa acima de 180 mil pontos no fim do ano, contra 34% em agosto, e 46% acreditam que o índice pode alcançar 200 mil pontos ou mais. Ainda assim, apenas 30% se declararam dispostos a elevar exposição a ações antes das eleições.

Destaques corporativos do pregão

AZZA3 recuou 2,98%, a R$15,30, ampliando a correção após um início de mês positivo impulsionado pelo anúncio de reorganização societária, ainda acumulando ganho próximo de 3% em setembro.

No setor bancário, ITUB4 subiu 0,76% e se descolou do sinal negativo dos pares, enquanto BBDC4 cedeu 0,71%, SANB11 perdeu 0,99%, BBAS3 registrou queda de 0,36% e BPAC11 recuou 0,46%. VALE3 caiu 1,17%, alinhada à fraqueza do minério de ferro na China. GGBR4 e USIM5 avançaram 3,15% e 3,27%, respectivamente, enquanto CSNA3 perdeu 2,2% e CMIN3 cedeu 0,96%.