O Ibovespa opera em baixa nesta sexta-feira (11), aos 187,3 mil pontos, devolvendo parte do forte avanço registrado na véspera e tentando sustentar o patamar dos 187 mil pontos. O movimento ocorre enquanto os investidores digerem os dados de inflação divulgados no Brasil e nos Estados Unidos, em meio a um cenário político e institucional que segue no radar, com desdobramentos envolvendo o Supremo Tribunal Federal. No câmbio, o dólar comercial mantém o sinal negativo, com queda de 0,27% a R$ 5,089, depois de tocar a mínima de R$ 5,072 ao longo da manhã, enquanto os juros futuros também recuam.
Apesar da retração do índice, o dia é marcado por uma forte disparidade entre setores. Siderúrgicas e seguradoras figuram entre as maiores quedas, ao passo que os grandes bancos sustentam a maioria de suas ações em território positivo. Lá fora, as bolsas de Nova York abrem em alta, ainda que caminhem para encerrar a semana no vermelho, após quatro sessões consecutivas de queda.
Deflação de 0,32% no IPCA surpreende e melhora leitura subjacente
O IPCA registrou deflação de 0,32% em agosto, resultado mais intenso do que o esperado pelo mercado. A leitura foi considerada mais construtiva por economistas, com melhora na margem tanto dos núcleos quanto dos serviços subjacentes, embora estes últimos ainda permaneçam em nível pressionado.
Na avaliação de Gustavo Rostelato, economista da Armor Capital, o reajuste nos preços de cigarros teve contribuição relevante para a inflação de núcleo do mês. Descontado esse efeito pontual, conforme destacou, a leitura subjacente do IPCA se mostra ainda mais benigna, reforçando os sinais de alguma melhora na dinâmica inflacionária na ponta.
Tesouro Direto e juros futuros reagem ao dado mais benigno
A deflação mais forte que o esperado teve efeito imediato sobre a renda fixa. As taxas do Tesouro Direto recuaram, com o juro real do Tesouro IPCA+ com vencimento em 2032 registrando queda de 0,15 ponto percentual após a divulgação do índice. O movimento acompanha a retração dos juros futuros ao longo da manhã.
O recuo das taxas prefixadas e indexadas reflete a recomposição das expectativas para a trajetória da inflação e da política monetária. Papéis atrelados à inflação tendem a reagir de forma mais direta a surpresas no índice oficial, uma vez que o carrego real embutido nos títulos passa a ser recalibrado diante de uma dinâmica de preços mais favorável.
CPI americano reforça aposta em alta de juros pelo Fed
No exterior, o CPI reforçou a expectativa de que o Federal Reserve promova uma alta de juros já na reunião da próxima semana. A leitura da inflação ao consumidor americano deu força ao argumento de quem defende o aperto monetário e deve influenciar a formação do voto de membros indecisos na decisão.
Segundo Andressa Durão, economista do ASA, os números sustentam uma alta de juros e o dado de agosto deve dar força ao presidente do Fed, Warsh, para puxar o voto dos indecisos na decisão da semana que vem. A economista projeta duas altas consecutivas de 25 pontos-base.
Crise no STF e cenário eleitoral dominam a pauta política
Um relatório da Polícia Federal indica a suspeita de que o ministro Dias Toffoli seja o beneficiário final ou proprietário de fato do fundo de investimento Arleen, que teria recebido repasse de R$ 35 milhões de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. O documento, mantido em sigilo por sete meses sob a relatoria do ministro André Mendonça, no Supremo Tribunal Federal, aponta que o valor teria chegado às Ilhas Virgens Britânicas, paraíso fiscal do Caribe, por meio de transação com a holding Egide I. Toffoli já negou ter amizade com o banqueiro ou ter recebido valores dele.
O fundo Arleen era sócio do resort Tayayá, no interior do Paraná, ligado à família do ministro e pertencente a Vorcaro, mas mudou de proprietário, passando a ser controlado por um empresário amigo do magistrado, antes de transferir seus ativos para o paraíso fiscal no Caribe. A corporação também reúne diálogos em que o banqueiro aciona um grupo ligado a policiais para pressionar alvos e obter informações, em episódios descritos como tentativa de intimidação de adversários.
Outro ponto da apuração indica que Vorcaro soube da operação antes de sua prisão e tentou deixar o país. No mesmo dia, o candidato à Presidência da República pelo PSD, Ronaldo Caiado, segue internado desde a quinta-feira (10) no Hospital Nova Star, em São Paulo, com um quadro de pneumonia.
Oferta de petróleo da Arábia Saudita cai ao menor nível em décadas
No mercado de commodities, a oferta de petróleo da Arábia Saudita caiu ao menor nível em mais de três décadas. O fornecimento recuou 2,3 milhões de barris por dia em relação ao mês anterior, chegando a 6 milhões de barris diários em agosto, segundo a Agência Internacional de Energia. O dado é inferior ao informado pela própria Arábia Saudita à Opep, que declarou ter fornecido 7,122 milhões de barris por dia no mês passado.
A queda ocorre após uma série de ataques a instalações energéticas sauditas. Grupos ligados aos houthis do Iêmen atacaram navios que transitavam pelo estreito de Bab el-Mandeb, além da refinaria de Jazan e de embarcações próximas a Yanbu. Ainda segundo a agência, milícias apoiadas pelo Irã no Iraque usaram drones para atingir a unidade de processamento de petróleo de Abqaiq. O país comunicou à Opep uma produção de 6,238 milhões de barris por dia em agosto, patamar semelhante ao calculado pela agência internacional.
Siderúrgicas, seguradoras e educação pressionam a B3
Na B3, o desempenho setorial foi amplamente negativo. As siderúrgicas lideraram as perdas, com destaque para CSNA3, que recuou 2,64%, seguida por GGBR4, com queda de 1,04%, por GOUA4, que perdeu 0,61%, e por USIM5, com baixa de 0,26%.
As seguradoras também operaram em queda, com BBSE3 cedendo 1,87%, CSXE3 recuando 0,84% e IRBR3 perdendo 0,46%. Entre as frigoríficas, BEEF3 caiu 1,01% e MBRF3 registrou baixa de 0,77%.
As companhias de educação apresentaram retração, com YDUQ3 a -1,19%, SEER3 a -1,13% e COGN3 a -0,84%. No varejo alimentar, os supermercadistas iniciaram o dia em baixa, com ASAI3 a -0,71%, GMAT3 a -0,62% e PCAR3 a -0,34%.
Bancos, locadoras e saneamento mostram o outro lado do pregão
Os grandes bancos foram na direção oposta ao restante do mercado. BBDC4 subiu 0,22%, ITUB4 avançou 0,19% e SANB11 ganhou 0,74%, com BBAS3 sendo a única queda do grupo, a -0,35%, cotado a R$ 22,72. As ações da PETR4 operavam em baixa.
Entre as locadoras, o sinal foi positivo, com RENT3 a +0,27%, MOVI3 a +0,74% e VAMO3 a +0,87%. No saneamento, o comportamento foi misto: SAPR11 caiu 1,26%, SBSP3 perdeu 0,22% e CSMG3 subiu 0,42%. Já as companhias de papel e celulose também operaram sem direção única, com RANI3 a +0,13%, SUZB3 a -0,10% e KLBN11 a -0,15%.
Nova York abre em alta, mas caminha para fechar a semana no vermelho
Os principais índices de Nova York abriram em alta nesta sexta-feira, mas caminham para encerrar a semana no vermelho, após quatro sessões consecutivas de queda. O Dow Jones subia 1,09%, o S&P 500 avançava 0,91% e o Nasdaq ganhava 0,81%.
O movimento ocorre em meio à retração dos preços do petróleo, enquanto os investidores deixam de lado, ao menos no pregão de hoje, as crescentes expectativas de uma alta da taxa de juros pelo Federal Reserve após a divulgação dos dados de inflação nos Estados Unidos.
Kapitalo aposta no real e reduz exposição a juros no Brasil
No mercado de gestão de recursos, a Kapitalo aposta no real e reduziu posições em juros no Brasil. A gestora, que registrou ganho de mais de 3% em agosto, teve retornos expressivos em seus fundos multimercados com ações no período e agora busca oportunidades também em juros no Reino Unido e na Zona do Euro.
A movimentação da casa ocorre em um dia de deflação do IPCA e de recuo das taxas futuras no mercado local, em paralelo à busca por alternativas de diversificação em mercados desenvolvidos.





