
O Ibovespa atingiu um novo marco histórico nesta quinta-feira (15) ao ultrapassar, pela primeira vez, o patamar dos 166 mil pontos durante o pregão. O avanço ocorre na esteira de dados econômicos domésticos positivos, do fluxo estrangeiro para ações de grande peso e de um ambiente político que voltou a influenciar a percepção de risco no mercado local.
Por volta das 15h10, o principal índice da B3 alcançou 166.069,84 pontos, com alta de 0,56%, superando o recorde intradia registrado na sessão anterior. O movimento reforça a tendência de valorização observada desde o início do ano: em 2026, o Ibovespa já acumula ganho próximo de 3%.
Dados domésticos e cenário político sustentam o avanço
No front econômico, os investidores reagiram positivamente aos números de vendas no varejo referentes a novembro, que superaram as expectativas, impulsionados pela Black Friday. Os dados reforçaram a leitura de resiliência do consumo interno, mesmo em um ambiente de juros elevados.
O cenário eleitoral também voltou ao radar. Declarações recentes de lideranças políticas ampliaram as apostas sobre a disputa presidencial de outubro, após pesquisas indicarem redução da vantagem do atual presidente em cenários simulados contra governadores da oposição. Esse movimento tem sido interpretado por parte do mercado como um fator de redução de incertezas no médio prazo.
Exterior ajuda, mas cautela permanece
No ambiente internacional, o alívio momentâneo nas tensões entre a Casa Branca e o Federal Reserve contribuiu para um tom mais construtivo nos mercados globais. Em Wall Street, os principais índices operaram em alta, refletindo a expectativa de menor interferência política na condução da política monetária dos Estados Unidos.
Ainda assim, o noticiário geopolítico segue como fonte de volatilidade, com desdobramentos envolvendo o Irã e disputas territoriais no Ártico monitorados de perto pelos investidores.
Bancos e Vale lideram altas; Petrobras oscila
O novo recorde do Ibovespa foi sustentado principalmente pelos papéis de maior peso na carteira teórica do índice. As ações dos grandes bancos avançaram em bloco, mesmo em meio aos desdobramentos do chamado Caso Master, após o Banco Central decretar a liquidação de uma corretora ligada ao grupo investigado. A avaliação predominante no mercado é de que o episódio não representa risco sistêmico ao sistema financeiro.
A Vale operou próxima de suas máximas históricas, com a ação negociada perto dos R$ 80, apoiada pela entrada de capital estrangeiro e pela valorização recente do minério de ferro.
Já a Petrobras apresentou leve recuo, devolvendo parte dos ganhos da sessão anterior, em um dia de queda mais acentuada do petróleo Brent no mercado internacional, pressionado pela escalada das tensões geopolíticas.
Destaques setoriais e comportamento do dólar
Entre as maiores altas do índice, ações do varejo ganharam força, com destaque para Magazine Luiza, impulsionada pelo desempenho acima do esperado do setor. Na ponta oposta, papéis ligados a consumo discricionário e serviços figuraram entre as principais quedas, refletindo ajustes de expectativas para margens em 2026.
No mercado de câmbio, o dólar apresentou comportamento distinto. Enquanto a moeda norte-americana se fortalecia frente a divisas globais, como euro e libra, o real se valorizou. No início da tarde, o dólar era negociado em queda frente à moeda brasileira, refletindo o fluxo para ativos locais e o desempenho positivo da Bolsa.
Perspectiva
Com o índice renovando máximas históricas, o mercado passa a monitorar se o movimento terá fôlego para se sustentar nos próximos pregões. A agenda econômica doméstica, os desdobramentos do cenário político e a evolução das tensões internacionais seguem como fatores-chave para a trajetória do Ibovespa no curto prazo.