O Ibovespa encerrou o dia com uma forte alta de 1,32%, aos 141.049,20 pontos, um ganho de 1.843,39 pontos. Durante o pregão, o índice alcançou um novo recorde histórico ao tocar a marca de 142.138,27 pontos, superando o recorde anterior de 141.563,85 pontos, registrado em 4 de julho. A valorização da bolsa brasileira foi impulsionada por uma combinação de fatores internos e externos. Enquanto isso, o dólar comercial emendou a segunda queda diante do real e recuou 0,19%, fechando a R$ 5,406.
Apesar do forte desempenho brasileiro, os índices de Wall Street também fecharam no positivo, com o S&P 500 batendo um novo recorde ao superar a marca de 6,5 mil pontos pela primeira vez. Os investidores americanos reagiram aos resultados trimestrais da Nvidia, divulgados na véspera, e a uma segunda estimativa do PIB do 2T25, que mostrou uma expansão de 3,3%, acima da primeira previsão de 3,0%. Os dados de uma economia ainda mais forte nos EUA geraram preocupações sobre a possibilidade de o Federal Reserve (Fed) não cortar juros na reunião de setembro, embora o mercado ainda aposte nesse sentido.
Segundo Fábio Murad, CEO da SpaceMoney e criador do método Super ETF, a disparidade entre os retornos no Brasil e nos EUA é evidente. “Enquanto o investidor brasileiro comemorava uma rentabilidade que, em dólares, se transformou em apenas 4% em uma década, quem estava posicionado no S&P 500 viu seu capital multiplicar, com uma alta de quase 190% no mesmo período”. Murad reforça que a desvalorização estrutural do real, que já perdeu mais de 80% do seu valor frente ao dólar desde 1994, penaliza o investidor local. Ele defende que a dolarização de parte do portfólio não é apenas uma alternativa, mas uma “necessidade” para proteger o patrimônio.
O protagonismo do Brasil em meio a desafios
O dia também foi marcado por notícias de grande impacto no cenário nacional. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, detalharam uma megaoperação da Polícia Federal e da Receita contra o crime organizado no setor de combustíveis. A investigação revelou um esquema que teria movimentado R$ 52 bilhões em quatro anos através de fundos fechados e fintechs. Em resposta, Haddad anunciou que a Receita Federal passará a enquadrar as fintechs como instituições financeiras a partir de sexta-feira, exigindo delas as mesmas obrigações de informação dos grandes bancos.
Essa medida foi bem recebida pelo mercado, e as ações dos grandes bancos lideraram os ganhos do Ibovespa. A B3 (B3SA3) subiu 2,84% e os bancos Itaú (ITUB4), Banco do Brasil (BBAS3) e Bradesco (BBDC4) tiveram altas de mais de 2%. Em contrapartida, as ações da Reag Investimentos (RAEG3) desabaram 15,69% após a busca e apreensão em sua sede. A Petrobras (PETR4) também subiu 0,88% , impulsionada pela alta do petróleo internacional e pela indicação do governo de Marcelo Pogliese para o Conselho de Administração.
Cenário eleitoral e diplomático impulsiona o mercado
A pesquisa Atlas, que indicou o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, na liderança das intenções de voto para a Presidência em 2026, também foi citada por analistas como um fator que contribuiu para o humor positivo do mercado. Alison Correia, sócio-fundador da Dom Investimentos, afirmou que o mercado já tem praticamente como certo que Tarcísio será o principal candidato da direita, e ele é o favorito do mercado. O analista também destacou que a percepção de que os juros no Brasil devem começar a cair no início de 2026, ou até mesmo em dezembro deste ano, aumenta a atratividade dos investimentos em renda variável.
No plano diplomático, o Brasil reforçou sua aproximação com o México em busca de alternativas comerciais após o aumento de tarifas impostas pelo governo Trump nos EUA. O vice-presidente Geraldo Alckmin, que chefia a comitiva no país, declarou o objetivo de fortalecer os laços bilaterais, o que resultou na expectativa de que o México libere mais frigoríficos brasileiros para exportação de carne bovina.
Projeções para a sexta-feira
O forte fechamento do Ibovespa abre caminho para novos recordes, mas o mercado continua atento aos próximos dados econômicos. Na sexta-feira, é dia de divulgação do índice de preços de consumo pessoal (PCE) dos EUA, a medida de inflação preferida do Fed para fins de política monetária. Um resultado dentro do esperado pode escancarar as portas para um corte de juros em setembro. No Brasil, a sexta-feira também trará a divulgação da taxa de desemprego de julho, um indicador que vem batendo recorde atrás de recorde.