painel eletrônico com alta do Ibovespa hoje no mercado de ações.
Forte alta do Ibovespa hoje com alívio geopolítico

O Ibovespa hoje registrou sua maior alta diária desde o início de abril ao avançar 1,77%, alcançando os 177.355,73 pontos. O movimento reverteu a queda de 1,52% observada na véspera, impulsionado pela reabertura parcial do Estreito de Ormuz e pelo recuo firme nos preços do petróleo no mercado internacional. O volume financeiro totalizou R$ 28,40 bilhões.

Alívio geopolítico derruba commodity e anima bolsas mundiais

A reabertura parcial do Estreito de Ormuz após 80 dias de bloqueio marítimo por Irã e Estados Unidos trouxe alívio imediato aos investidores globais. Sinais de avanço nas negociações bilaterais, citados pela Casa Branca, apontaram para a proximidade de um acordo na região. Diante da menor percepção de risco sobre o escoamento global de energia, o petróleo Brent desabou 5,63%, cotado a US$ 105,02 por barril, enquanto o WTI caiu 5,66%, recuando para US$ 98,26.

Em Wall Street, o sinal positivo prevaleceu com a queda consistente nos rendimentos dos títulos do Tesouro dos EUA (Treasuries) e a forte expectativa do mercado de tecnologia em torno do balanço trimestral da Nvidia. Nem mesmo a divulgação da ata do Federal Reserve, que indicou uma postura mais dura de dirigentes dispostos a elevar juros caso a inflação americana permaneça persistente, conseguiu reverter o otimismo externo.

Dólar recua e curva de juros futuros tem queda firme

No cenário doméstico, o dólar comercial caiu 0,74%, encerrando o dia cotado a R$ 5,003 na venda, após oscilar entre a mínima de R$ 4,999 e a máxima de R$ 5,058. As taxas dos contratos de juros futuros (DIs) acompanharam o recuo do câmbio e registraram baixas expressivas ao longo de toda a curva, embora permaneçam pressionadas na faixa entre 13% e 14%.

Grandes bancos e varejo disparam na B3

A sessão foi marcada por uma valorização disseminada na carteira teórica do índice nacional. Os grandes bancos registraram ganhos robustos acima de 2%, com Bradesco (BBDC4) subindo 2,70%, Santander (SANB11) avançando 2,62%, Banco do Brasil (BBAS3) com alta de 2,32% e Itaú Unibanco (ITUB4) subindo 2,29%. A Vale (VALE3) também fechou no azul, registrando alta de 1,21% amparada pela recuperação do minério de ferro na China.

O setor de varejo e consumo figurou entre os principais destaques positivos do dia. As ações das Lojas Renner (LREN3) saltaram 7,77% e as do Magazine Luiza (MGLU3) avançaram 3,70%. Fora do índice principal, os papéis da Casas Bahia (BHIA3) dispararam 23,81%. A maior alta do Ibovespa foi liderada pela CSN Mineração (CMIN3), que subiu 10,29%.

Petrobras lidera as raras baixas do pregão

Apenas quatro ativos que compõem o principal indicador da bolsa registraram perdas nesta quarta-feira. Com o tombo generalizado nos preços do petróleo no exterior, as ações da Petrobras lideraram o terreno negativo: os papéis ordinários (PETR3) recuaram 3,85% e as ações preferenciais (PETR4) caíram 3,23%. SLCE3 (-1,61%) e PRIO3 (-1,00%) completaram a lista de desvalorizações do índice.

Em outro ponto do mercado financeiro, a fabricante de brinquedos Estrela (ESTR4), negociada fora do índice macro, despencou 33,48%, fechando a R$ 3,00. A forte queda ocorreu após a companhia protocolar um pedido oficial de recuperação judicial, registrando baixo volume de negócios.

Fluxo estrangeiro e risco político no radar

Apesar da forte recuperação diária, investidores alertam para a continuidade da saída de capital estrangeiro da bolsa do país, em linha com o movimento sazonal de aversão a emergentes. Mais de R$ 22 bilhões deixaram o mercado acionário local recentemente. Só na segunda metade de abril, as saídas somaram R$ 11,5 bilhões , enquanto o mês de maio segue pressionado por saídas líquidas de R$ 3,6 bilhões no mercado à vista. No dia 15 de maio, a retirada estrangeira alcançou R$ 2,4 bilhões em uma única sessão.

O cenário doméstico também incorporou prêmio de risco eleitoral e fiscal nas últimas semanas. Pesquisas de intenção de voto apontaram oscilações após a divulgação de investigações envolvendo o financiamento de projetos audiovisuais ligados ao senador Flávio Bolsonaro e ao banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, o que elevou a volatilidade interna e desacelerou o fluxo de investimentos de longo prazo.