
O mercado financeiro global viveu um dia de forte volatilidade nesta quinta-feira, alternando momentos de desconfiança e euforia com o desdobramento da crise no Oriente Médio. Após operar em queda durante a maior parte da manhã, o principal índice da bolsa brasileira reagiu positivamente a relatos internacionais sobre um avanço diplomático entre Washington e Teerã. O fluxo de notícias acabou impulsionando as ações de grandes empresas e pressionando as curvas de juros e do câmbio.
O Ibovespa hoje encerrou a sessão com leve alta de 0,17%, aos 177.649,86 pontos , ampliando os ganhos da véspera e acumulando um volume financeiro de R$ 23,80 bilhões. Na contramão do cenário externo, o dólar comercial recuou 0,06%, cotado a R$ 5,001 na venda, após registrar a mínima de R$ 4,984.
Rumores de cessar-fogo transformam o pregão
A virada dos negócios ocorreu no início da tarde, quando canais de comunicação do Oriente Médio divulgaram que o Paquistão estaria mediando um rascunho de acordo definitivo para encerrar o conflito entre Estados Unidos e Irã, que já se estende por quase 100 dias. A perspectiva de arrefecimento geopolítico gerou uma rápida recomposição de ativos de risco.
Apesar de nenhuma das autoridades de Washington ou de Teerã ter confirmado oficialmente o documento até o fechamento dos mercados, as declarações do secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, sinalizando que a preferência da Casa Branca é por “um bom acordo”, ajudaram a sustentar o otimismo defensivo dos investidores.
O impacto nos preços das commodities foi imediato. Os contratos futuros do petróleo sofreram forte correção negativa após operarem em alta de até 3% pela manhã. O barril do tipo Brent para julho recuou 2,32%, fechando a US$ 102,58, enquanto o WTI caiu 1,94%, cotado a US$ 96,35.
Petrobras, Vale e grandes bancos sustentam o índice
No ambiente corporativo local, o alívio geopolítico abriu espaço para a recuperação das ações de maior peso no índice:
- Petrobras (PETR4): Subiu 0,78% , liderando o volume financeiro do dia , impulsionada por revisões operacionais positivas de analistas de mercado, que minimizaram a queda do óleo bruto no exterior.
- Vale (VALE3): Reverteu as perdas matinais e encerrou com ganho de 0,77% , mesmo diante da desvalorização de 1,07% do minério de ferro na bolsa de Dalian.
- Setor Financeiro: Os grandes bancos migraram em bloco para o terreno positivo. O Itaú Unibanco (ITUB4) avançou 1,13%, o Banco do Brasil (BBAS3) subiu 0,58% e o Bradesco (BBDC4) registrou alta de 0,22%.
Por outro lado, o setor de saúde liderou as perdas. A Hapvida (HAPV3) desabou 7,01%, pressionada por discussões regulatórias e pelo avanço na judicialização de sinistros do setor. A Energisa (ENG11) também recuou 0,43% após anunciar a venda de 27% de seus ativos de transmissão.
Alívio na curva de juros futuros
A abrupta virada no cenário geopolítico também provocou o fechamento das taxas dos contratos de DI (juros futuros) por toda a curva a termo no Brasil. Pela manhã, o estresse global havia levado o Tesouro Nacional a suspender temporariamente as negociações de títulos públicos devido à forte volatilidade. Ao final da sessão regular, os rendimentos recuaram de forma consistente:
Taxas de Juros Futuros (DI)
| Contrato | Taxa (%) | Variação (pp) |
| DI1F27 | 14,040 | -0,035 |
| DI1F29 | 13,845 | -0,110 |
| DI1F31 | 14,020 | -0,090 |
| DI1F35 | 14,145 | -0,060 |
Wall Street reage a balanço da Nvidia
Em Nova York, as bolsas fecharam com ganhos discretos. Além do radar político global, as mesas de operação digeriram o balanço financeiro da Nvidia. Embora a fabricante de semicondutores tenha superado as projeções de lucro e anunciado uma robusta recomquela de ações, analistas mantiveram cautela sobre a capacidade de sustentação do ritmo de receita de inteligência artificial em clientes concentrados. O Dow Jones subiu 0,55%, o S&P 500 avançou 0,17% e o índice de tecnologia Nasdaq registrou leve alta de 0,09%.





