O Ibovespa opera em queda na manhã desta quarta-feira (9), pressionado pela aversão a risco global após a escalada das tensões entre Estados Unidos e Irã e a disparada do petróleo acima de US$ 100 por barril. Por volta de 10h10 (horário de Brasília), o principal índice da bolsa brasileira recuava 0,45%, aos 186.636,96 pontos.
No mesmo horário, o dólar à vista subia 0,12% ante o real, negociado a R$ 5,0924, enquanto o DXY, que mede a moeda americana ante uma cesta de seis divisas fortes, caía 0,14%, aos 98.645 pontos. O movimento cambial doméstico ocorre na contramão do exterior, refletindo o ambiente de maior cautela nos mercados emergentes.
Petróleo dispara com ataques no Oriente Médio
A forte alta das cotações do petróleo é o principal vetor de risco para os mercados nesta quarta-feira. A Guarda Revolucionária do Irã afirmou ter atacado dez navios petroleiros, depois de os EUA anunciarem a destruição de cinco embarcações iranianas. Trata-se da maior onda declarada de ataques recíprocos na via marítima desde o início da guerra, há seis meses.
O Irã também informou que uma área marítima restrita se estenderá de Chabahar, no país, até partes do Golfo de Omã e do Mar Arábico, com coordenadas exatas a serem anunciadas. A medida amplia o temor de interrupções no fornecimento de petróleo em uma das rotas mais sensíveis do mundo.
Por volta de 10h (horário de Brasília), o contrato do Brent para novembro subia 2,88%, a US$ 100,74 o barril, na Intercontinental Exchange (ICE), em Londres. Já o WTI para outubro avançava 2,99%, a US$ 95,81 o barril, na New York Mercantile Exchange (Nymex), nos EUA.
Bancos projetam impactos sobre o preço do barril
Em meio à escalada do conflito, o Bank of America (BofA) projeta preço médio do Brent de US$ 82 por barril no segundo semestre deste ano e de US$ 75 por barril em 2027, refletindo interrupções mais persistentes no tráfego pelo Estreito de Ormuz. Já o Goldman Sachs vê o barril a US$ 120 no curto prazo, embora mantenha o cenário-base de US$ 85 neste ano e US$ 80 no próximo.
Disputa eleitoral e crise no STF no radar político
No cenário doméstico, pesquisa Meio/Ideia divulgada nesta quarta-feira mostra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) empatado com o senador Flávio Bolsonaro (PL) em eventual segundo turno, ambos com 46% das intenções de voto. O levantamento indica mudança em relação a agosto, quando o petista tinha 5,5 pontos porcentuais de vantagem sobre o bolsonarista. Lula oscilou 2,5 pontos para baixo e Flávio avançou 3 pontos. A margem de erro é de 2,5 pontos porcentuais, com 3,5% de brancos e nulos e 4,5% de indecisos.
Também no radar, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a reintegração de Andrei Rodrigues ao cargo de diretor-geral da Polícia Federal e de Leandro Almada da Costa ao cargo de diretor de Inteligência Policial da PF. Os dois haviam sido afastados na terça-feira (8) por liminar do ministro André Mendonça. Na decisão, sob sigilo, Dino afirmou que qualquer resistência ao cumprimento da ordem poderá caracterizar ilícito, submetendo-se a decisão exclusivamente à autoridade do plenário da Corte.
Governo edita MPs para subvenção a combustíveis e Pronaf
O presidente Lula editou a Medida Provisória 1.389, que abre crédito extraordinário de R$ 6,605 bilhões para o Ministério de Minas e Energia bancar subvenções à produção e importação de combustíveis, sendo R$ 5,607 bilhões destinados especificamente ao diesel. Outra MP abre crédito de R$ 375 milhões para o Tesouro Nacional operacionalizar o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf).





