O Ibovespa abriu a quarta-feira (16) em terreno negativo, pressionado pela desvalorização do petróleo e por ações de primeira linha, mais demandadas pelo fluxo estrangeiro, enquanto agentes financeiros aguardam as decisões de política monetária no Brasil e nos Estados Unidos. Perto das 11h38, o índice recuava 0,48%, aos 185.615,19 pontos, depois de renovar a mínima do dia em 184.753,98 pontos, queda de 0,94%. A abertura havia sido estável, com máxima em 186.502,64 pontos.

O EWZ, principal ETF de ações brasileiras negociado em Nova York, virou para o campo negativo e caía 0,73%, sinal do recuo da demanda externa pelos ativos domésticos. Os papéis do setor de petróleo recuavam cerca de 2%, acompanhando a baixa da commodity no exterior. O giro financeiro desta sessão pode superar a média diária de aproximadamente R$ 15 bilhões por causa do vencimento de opções sobre o Ibovespa, conforme apuração da Estadão Conteúdo.

Superquarta de juros mantém investidores em compasso de espera

Investidores aguardam as decisões do Federal Reserve, às 15h, e do Comitê de Política Monetária, às 18h30. Nos EUA, as vendas do varejo vieram mais fortes em agosto, o que corrobora a expectativa de alta dos juros nesta quarta-feira e abre espaço para novas elevações adiante. No Brasil, o IBC-Br caiu 0,22% em julho ante junho, mais intensamente do que a mediana negativa de 0,10% projetada, reforçando análises de arrefecimento da atividade.

Segundo Marianna Costa, economista-chefe da Mirae Asset Brasil, o dado de atividade econômica oferece uma leitura mais clara de que o terceiro trimestre começou mais fraco do que o esperado, o que torna a queda de 0,25 ponto porcentual da Selic, para 13,75%, praticamente dada. Ainda assim, permanecem dúvidas sobre os próximos passos da política monetária nas duas economias.

Impasse no STF adiciona incerteza ao cenário político

A sessão também carrega o peso da crise institucional no Supremo Tribunal Federal. O julgamento sobre a investigação do ministro Alexandre de Moraes chegou a 4 a 4, até que Flávio Dino pediu vista e interrompeu a análise, alegando necessidade de mais tempo diante do clima de hostilidade entre os ministros. O desfecho indefinido pode ser interpretado como negativo para a candidatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na leitura de Silvio Campos Neto, economista-sênior da Tendências Consultoria.

Para o sócio da Tendências, o impasse e a tentativa de evitar a apuração tendem a alimentar o bom momento da oposição nas pesquisas eleitorais, ainda que as incertezas elevadas e o receio de fatos novos atingindo Flávio Bolsonaro sustentem certa cautela. Na visão de Marianna Costa, da Mirae Asset, os próximos levantamentos serão decisivos para medir se o fortalecimento de um dos principais nomes da oposição vai se manter ou perder força na margem, dado o que já foi incorporado pelos preços dos ativos.