As incorporadoras listadas na B3 acumularam uma recuperação expressiva nas últimas semanas, sustentada pela expectativa em torno da corrida presidencial e pela perspectiva de queda dos juros, discussão que domina a agenda da macroeconomia. Ainda assim, o Goldman Sachs avalia que parte relevante do setor continua sendo negociada a múltiplos historicamente descontados quando o parâmetro são os mesmos momentos dos ciclos eleitorais de 2014, 2018 e 2022, conforme apurou o InfoMoney.
O relatório foi montado a cerca de três semanas do primeiro turno, com o objetivo de medir como as construtoras chegam posicionadas ao pleito. Para isso, os analistas cruzaram dois indicadores: o múltiplo de preço sobre o lucro projetado para os próximos 12 meses e o spread de retorno em relação aos juros nominais de dez anos observados nas eleições anteriores.
Cyrela e Direcional lideram as escolhas do banco
A Cyrela aparece na avaliação como uma das oportunidades mais atrativas do segmento. Mesmo depois de avançar 27% desde as mínimas de agosto, a companhia negocia pelo menor múltiplo de lucro projetado entre todos os ciclos eleitorais analisados e ostenta o maior spread de retorno diante dos títulos públicos. A recomendação de compra foi mantida, com preço-alvo de R$ 31, o que implica potencial de valorização de aproximadamente 22%.
A Direcional apresenta um quadro bastante parecido. Os papéis também são negociados pelos menores múltiplos da série histórica estudada e pelo maior prêmio de retorno frente aos juros longos. O banco ressalta, no entanto, que a ação teve desempenho inferior ao de seus pares e segue próxima dos menores níveis em mais de 18 meses. A recomendação é de compra, com preço-alvo de R$ 20, upside próximo de 97% em relação ao fechamento de 14 de setembro.
Cury, MRV, EZTEC e Tenda: retratos distintos
No caso da Cury, a recomendação de compra foi preservada, mas o Goldman observa que a construtora negocia entre os múltiplos mais elevados do setor. O fenômeno reflete a preferência dos investidores pela combinação de forte geração de caixa, balanço sólido e distribuição de proventos. Nas conversas com o mercado, os analistas identificaram justamente essa predileção pela Cury em detrimento de outras empresas do segmento de baixa renda. O preço-alvo segue em R$ 43.
A MRV foi a companhia que mais se valorizou desde as mínimas recentes, com alta de 37%, embora tenha partido de patamares próximos aos menores da última década. Apesar da recuperação, o prêmio de retorno do papel em relação aos títulos públicos é hoje um dos mais apertados entre as empresas acompanhadas. A recomendação é neutra, com preço-alvo de R$ 7.
A EZTEC também participou do movimento de recuperação do setor, com avanço de cerca de 28% desde agosto, em parte ajudada por notícias envolvendo uma possível locação da Torre Esther. O banco, contudo, mantém recomendação de venda, argumentando que o desconto em relação aos pares ficou mais limitado depois do rali. Já a Tenda continua entre as preferidas da instituição: na comparação com o ciclo eleitoral de 2018, a companhia ainda negocia com desconto relevante, o que sustenta a recomendação de compra e o preço-alvo de R$ 37.
O levantamento reforça que o mercado voltou a monitorar de perto o comportamento histórico das construtoras em períodos de eleição. Na leitura do Goldman Sachs, mesmo após a valorização recente das cotações, uma parcela importante do setor segue precificando um cenário conservador, sobretudo nos casos de Cyrela e Direcional.





