O Berkshire Hathaway, conglomerado comandado por Warren Buffett, ampliou sua aposta na construtora de casas Lennar e aumentou a participação na empresa para 11,2%, mas o ritmo das compras está desacelerando, segundo a CNBC.

Em documento enviado à SEC na noite de quarta-feira, o Berkshire informou ter comprado US$ 53,6 milhões em ações classe A da Lennar e outros US$ 329 mil em papéis classe B, que dão mais direito de voto por ação, nas negociações de segunda, terça e quarta-feira. Com isso, a posição total chegou a 26,6 milhões de ações, avaliadas em US$ 2,1 bilhões com base no fechamento de sexta-feira, conforme a CNBC.

No fim do segundo trimestre, o Berkshire detinha 5,4% da Lennar, com 13,4 milhões de papéis avaliados em US$ 1,2 bilhão. O volume representava alta de quase 30% sobre os 10,3 milhões de ações do fim do primeiro trimestre, que por sua vez eram 43% mais do que os 7,2 milhões do fim do ano passado.

Segundo a CNBC, o Berkshire seguiu comprando sem divulgação enquanto o papel continuava a cair no terceiro trimestre, até a fatia atingir 10% em meados de setembro. O patamar acionou uma regra da SEC que obriga a companhia a informar novos movimentos em até dois dias úteis. Dois documentos apresentados na semana passada mostraram compras de quase US$ 349 milhões em seis dos sete dias de negociação entre 17 e 25 de setembro, média de US$ 58 milhões por dia. Nesta semana, a média ficou em pouco menos de US$ 18 milhões até quarta-feira. A comparação indica desaceleração frente ao ritmo anterior. Como não houve novo registro até a publicação da reportagem, a média de quatro dias cai para US$ 13,5 milhões, segundo a CNBC, que afirmou que só saberá se houve compras na sexta-feira depois do prazo de entrega de documentos na segunda-feira. A emissora apontou ainda que o Berkshire aparentemente não comprou ações na quinta-feira.

Visão pessimista sobre a Lennar

Na quinta-feira, o Morgan Stanley iniciou a cobertura das ações da Lennar com recomendação “underweight” e preço-alvo de US$ 65 por ação, cerca de 19% abaixo do fechamento de US$ 79,81. O papel recuou 2,8% no dia.

O mercado imobiliário americano segue em dificuldade. Seis semanas consecutivas de alta levaram a taxa média do crédito hipotecário de 30 anos a 7,30%, segundo a Mortgage Bankers Association, o maior nível desde o fim de 2023. A jornalista da CNBC Diana Olick informou que os juros elevados têm afastado potenciais compradores, que também enfrentam preços de imóveis mais altos do que no ano passado. A aposta do Berkshire, conforme a CNBC, é que a Lennar se beneficie de uma recuperação de longo prazo do mercado habitacional do país.