
O Citi manteve a recomendação “neutra” para o Banco do Brasil, mas colocou as ações (BBAS3) em observação para catalisadores negativos e reduziu o preço-alvo de R$ 21 para R$ 18. A revisão foi acompanhada de cortes nas estimativas de lucro ajustado do banco para 2026 e 2027 e consta de relatório enviado a clientes nesta segunda-feira (17).
Na avaliação do banco americano, a relação entre risco e retorno de BBAS3 se tornou menos atraente. “Em nossa visão, a tese de investimento depende cada vez mais de premissas difíceis de conciliar com as tendências operacionais recentes, particularmente a contínua deterioração da qualidade dos ativos, os desafios para atingir o guidance e as preocupações crescentes com a qualidade do capital”, afirmou o analista Gustavo Schroden, em relatório enviado a clientes.
Projeções mais baixas para 2026 e 2027
O Citi passou a projetar lucro líquido ajustado de R$ 16,6 bilhões para 2026, ante R$ 17,55 bilhões estimados anteriormente. Com isso, a projeção do banco americano ficou abaixo do guidance oficial do Banco do Brasil, que prevê lucro líquido ajustado entre R$ 18 bilhões e R$ 22 bilhões neste ano. Para 2027, a estimativa foi reduzida de R$ 26,3 bilhões para R$ 21,1 bilhões.
Na visão do Citi, a manutenção do guidance pela administração sugere uma trajetória de custos de crédito excessivamente otimista para o segundo semestre de 2026. A avaliação indica que alcançar o ponto médio da projeção exigiria uma redução significativa nas provisões, apesar do aumento contínuo na formação de inadimplência durante o segundo trimestre. O Citi também afirmou que mantém preocupação com a possibilidade de os níveis atuais de provisionamento serem insuficientes para absorver integralmente a deterioração da qualidade do crédito.
Capital principal em queda
Outro ponto de atenção levantado pelo relatório é o capital principal (CET1) do Banco do Brasil, que caiu para 11,27% no segundo trimestre de 2026, ante 11,59% no primeiro trimestre e 10,97% um ano antes. Para o Citi, o capital nominal segue em trajetória de queda e, na análise isolada do banco, a instituição permanece deficitária nas estimativas da casa. O banco americano diz acreditar que os investidores podem estar subestimando os riscos associados à posição de capital.
A nova leitura do Citi chega dias depois de o mercado reagir de forma negativa ao balanço do segundo trimestre. O Banco do Brasil registrou lucro líquido ajustado de R$ 3,9 bilhões no período, alta de 3,3% na comparação anual e de 13,9% ante o trimestre anterior. O custo de crédito, porém, avançou 16,1% em 12 meses, para R$ 18,5 bilhões, embora tenha recuado 2,1% na comparação trimestral. No pregão de 13 de agosto, BBAS3 fechou em queda de 4,05%, a R$ 18,23.
Qualidade dos ativos segue sob pressão
Os indicadores de risco do balanço ajudam a explicar o tom mais cauteloso. O índice de cobertura, que mostra quanto das operações em atraso está coberto por provisões, caiu de 183,2% para 148,5% em 12 meses. A inadimplência acima de 90 dias no agronegócio atingiu 6,3%, maior nível da série histórica do banco. Na carteira de pessoas físicas, a inadimplência subiu para 8,4%, ante 5,59% um ano antes, enquanto o cartão de crédito chegou a 14,6%.
O BB renegociou R$ 31 bilhões em créditos no segundo trimestre, mas a recuperação deve ser gradual. Segundo o BTG Pactual, a renegociação das dívidas no agronegócio tem avançado mais lentamente do que o esperado, o que tende a manter a pressão sobre provisões e custo de crédito por mais tempo. A administração do BB, por sua vez, destacou na apresentação do balanço sinais de estabilização em algumas carteiras.





