
O Banco do Brasil (BBAS3) encerra a temporada de balanços das grandes instituições financeiras brasileiras nesta quarta-feira (13), com a divulgação dos resultados após o fechamento do pregão. O mercado financeiro mantém o sinal de alerta ligado, esperando que o banco ainda reflita os impactos da deterioração do cenário para o agronegócio.
Provisões e agronegócio no centro das atenções
Após uma sequência de trimestres desafiadores, a expectativa é que o Banco do Brasil continue apresentando números pressionados. O principal vilão do balanço deve ser, novamente, o volume de provisões para devedores duvidosos (PDD), impulsionado pela fragilidade do crédito rural.
De acordo com análises do Goldman Sachs, as provisões devem permanecer em patamares elevados, o que afeta diretamente a última linha do balanço. A estimativa é de uma contração significativa no lucro antes dos impostos, com quedas projetadas de 19% em relação ao quarto trimestre de 2025 e de 53% na comparação anual.
Queda na margem financeira e tesouraria
Além das provisões, o desempenho operacional do banco deve mostrar sinais de arrefecimento. Analistas apontam para uma combinação de fatores negativos que devem moldar o 1T26:
- Receita Líquida de Juros (NII): Expectativa de queda de 3% no trimestre, influenciada principalmente por resultados mais fracos na tesouraria.
- Custo de Crédito: As perdas estimadas com empréstimos devem subir cerca de 4% em relação ao trimestre anterior.
O peso do setor rural no BBAS3
Historicamente, o Banco do Brasil possui a maior exposição ao agronegócio entre os grandes bancos listados. Embora essa fatia de mercado tenha garantido lucros recordes em anos anteriores, o momento atual de quebra de safras e queda nos preços das commodities tem gerado uma inadimplência atípica no setor, forçando o banco a ser mais conservador em seus lançamentos contábeis.
Recomendações dos analistas
Apesar do pessimismo de curto prazo com os números do primeiro trimestre, o sentimento geral do mercado em relação às ações BBAS3 permanece resiliente. Muitas casas de análise mantêm recomendações positivas para os papéis, focando no “valuation” atrativo e no histórico de pagamento de dividendos da estatal.
O balanço do 1T26 será fundamental para que os investidores recalibrem suas expectativas sobre o “guidance” (projeções) do banco para o restante do ano de 2026, especialmente no que diz respeito à velocidade de recuperação da carteira rural.





