Imagem ilustrativa de produtos agrícolas brasileiros prontos para exportação, representando o impacto do acordo UE–Mercosul no agronegócio
Produção agrícola brasileira simboliza oportunidades de exportação com o avanço do acordo entre União Europeia e Mercosul

A aprovação do acordo de livre comércio entre a União Europeia e o Mercosul tende a gerar impactos positivos para empresas listadas na Bolsa brasileira, especialmente nos setores de agronegócio, alimentos e proteínas. O tratado, considerado o maior já firmado pela UE, amplia o acesso de produtos sul-americanos ao mercado europeu por meio da redução gradual de tarifas e da ampliação de cotas de importação.

Pelo cronograma definido, a União Europeia eliminará tarifas sobre 92% das exportações do Mercosul em até dez anos, enquanto o bloco sul-americano reduzirá tarifas sobre 91% das exportações europeias ao longo de 15 anos. O acordo também prevê mudanças relevantes no comércio de produtos agrícolas, incluindo carnes, açúcar, etanol, grãos e derivados de leite.

Setor de proteínas aparece como principal beneficiado

Entre os segmentos mais favorecidos estão as empresas ligadas à produção de carnes. A ampliação das cotas de importação europeias para carne bovina, suína e de aves tende a abrir espaço para aumento de volumes exportados, mesmo sem alterações imediatas nas tarifas para produtos brasileiros.

Estimativas indicam que, após a implementação completa do acordo, a produção de carne suína e de aves no Brasil pode registrar crescimento relevante, impulsionada pela maior demanda externa. O impacto tende a ser gradual, dado o longo período de transição, mas o efeito estrutural é considerado positivo para o setor.

Empresas com presença internacional, escala produtiva e acesso ao mercado europeu aparecem entre as mais bem posicionadas para capturar os benefícios do acordo, sobretudo aquelas com cadeias produtivas integradas e histórico de exportações.

Celulose, açúcar e bioenergia também entram no radar

Além do setor de proteínas, companhias ligadas à celulose, papel e bioenergia também podem se beneficiar do aumento do fluxo comercial com a Europa. A demanda por embalagens, produtos renováveis e insumos alinhados a critérios ambientais tende a favorecer empresas brasileiras que já operam com padrões exigidos pelo mercado europeu.

Açúcar, etanol e derivados ganham destaque pela combinação de competitividade, escala e aderência a políticas de transição energética, ampliando o potencial de exportação de produtos de maior valor agregado.

Efeitos indiretos e desafios para a indústria

O acordo também pode gerar efeitos indiretos em segmentos como logística, transporte e infraestrutura, impulsionados pelo aumento do volume de comércio exterior. Instituições financeiras, por sua vez, podem se beneficiar da expansão do financiamento às exportações e do maior fluxo de investimentos entre os blocos.

Por outro lado, o tratado impõe desafios para setores da indústria brasileira com menor competitividade internacional. Áreas como bens manufaturados, automotivo e máquinas e equipamentos tendem a enfrentar maior concorrência de produtos europeus, o que pode pressionar margens e exigir ganhos de produtividade, inovação e reposicionamento estratégico.

Apesar das incertezas no curto prazo e da necessidade de aprovação legislativa final nos países envolvidos, o acordo UE–Mercosul é visto como um vetor relevante de transformação estrutural para o comércio exterior brasileiro, com impactos mais claros no médio e longo prazo para empresas já integradas às cadeias globais.